Área de drenagem ajuda a identificar pequenas bacias hidrográficas na Amazônia Legal
A bacia hidrográfica é a entidade geográfica mais adequada para análise de sistemas ambientais, uma vez que em sua morfologia são agregadas as ações da natureza e da sociedade. Importantes para a distribuição das águas superficiais, as bacias também exercem uma função relevante na distribuição de sedimentos e substâ...
A bacia hidrográfica é a entidade geográfica mais adequada para análise de sistemas ambientais, uma vez que em sua morfologia são agregadas as ações da natureza e da sociedade. Importantes para a distribuição das águas superficiais, as bacias também exercem uma função relevante na distribuição de sedimentos e substâncias dissolvidas.
No Brasil, importantes órgãos utilizam diferentes sistemas de classificação e codificação de bacias hidrográficas, contudo a codificação proposta pelo engenheiro Otto Pfafstetter, do antigo Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), destaca-se como sendo um sistema natural e hierárquico de classificação, que toma como base o tamanho e a forma da bacia hidrográfica, bem como a configuração dos canais que produzem o escoamento até o exutório.
O sistema, conhecido como “ottobacias”, associa um código único para cada bacia, que são organizadas em uma estrutura hierárquica. É um método natural, baseado na topografia da área drenada e na topologia (conectividade e direção) da rede de drenagem. Apresenta como características principais a economia de dígitos, informação topológica embutida nos códigos e aplicabilidade global. Através do código de cada bacia é possível deduzir quais bacias hidrográficas localizam-se a montante e a jusante daquela em estudo.
A codificação de Otto Pfafstetter, também chamada de “Ottocodificação”, baseia-se nas seguintes regras: a delimitação das bacias é feita a partir da identificação do rio principal, e posteriormente, codificam-se suas bacias afluentes por área de contribuição. O rio principal deve ser o que possuir maior deflúvio anual, no entanto este tipo de análise demandaria estudos de longos históricos de vazões, o que nem sempre é possível. No entanto, em geral os deflúvios anuais dos rios são proporcionais as suas áreas de drenagem, e por isso para a aplicabilidade do seu método de codificação, estabeleceu a área drenada como principal critério de identificação do rio principal.
Em qualquer nível de classificação separam-se as quatro maiores bacias identificadas ao longo do rio principal, as quais receberão como código, em ordem de jusante para montante, os números pares 2, 4, 6 e 8. O código 0 (zero) é atribuído para a maior bacia fechada. As bacias restantes são denominadas de “interbacias” e são divididas em cinco áreas que recebem como códigos os números ímpares 1, 3, 5, 7 e 9, também atribuídos de jusante para montante. Ao final da codificação, a configuração das bacias encontra-se de forma que a interbacia 3 se localiza entre as bacias 2 e 4, a interbacia 5, entre as bacias 4 e 6, e assim por diante.
Na Amazônia Legal, uma abordagem baseada na relação entre chuva e vazão identificou 620 km² como um limite de referência para a classificação de pequenas bacias hidrográficas. A área de drenagem influencia diretamente o comportamento hidrológico de uma bacia e a forma como a água da chuva se transforma em vazão. Em áreas menores, essa relação tende a apresentar comportamento mais próximo da linearidade, permitindo a utilização de modelos matemáticos mais simples para representar o sistema.
A identificação de um parâmetro de área para pequenas bacias pode contribuir para estudos hidrológicos e para o planejamento de recursos hídricos, especialmente em uma região de grande extensão territorial e elevada complexidade hidrográfica como a Amazônia Legal. A utilização de modelos adequados às características das bacias também pode facilitar análises de vazão e a avaliação de diferentes cenários hidrológicos.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Contribuição à classificação de pequenas bacias hidrográficas em função da área de drenagem, defendida por Laila Rover Santana, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Pará (UFPA), sob orientação do professor Claudio José Cavalcante Blanco.
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