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Ciclo de vida contribui para uma gestão de ativos eficiente na mineração

Um dos desafios da gestão de ativos é identificar o momento ideal para a troca de um equipamento. Um ativo pode continuar tecnicamente operacional por anos, mas apresentar uma combinação crescente de gastos com manutenção, paradas, perdas de produção e riscos que torna sua permanência economicamente desvantajosa.

Ciclo de vida e gestão de ativos na mineração

Um dos desafios da gestão de ativos é identificar o momento ideal para a troca de um equipamento. Um ativo pode continuar tecnicamente operacional por anos, mas apresentar uma combinação crescente de gastos com manutenção, paradas, perdas de produção e riscos que torna sua permanência economicamente desvantajosa.

Uma das ferramentas utilizadas para apoiar essa decisão é a Análise do Custo do Ciclo de Vida (LCC, na sigla em inglês). A metodologia considera os custos acumulados ao longo da trajetória de um ativo, desde sua aquisição até sua operação, manutenção e eventual substituição. Com isso, é possível avaliar quanto o equipamento efetivamente custa para a empresa durante o período em que permanece em operação.

Essa perspectiva é especialmente importante em operações de mineração, nas quais uma falha pode produzir consequências como interromper etapas da operação, comprometer a movimentação de materiais, gerar perdas de produção e aumentar a exposição das equipes a situações de risco.

Um exemplo prático foi identificado na análise de uma frota de locotratores Mercedes U400 utilizados para movimentar vagões entre oficinas de manutenção de uma mineradora. Os equipamentos eram considerados críticos para a operação porque sua indisponibilidade afetava diretamente o transporte de minério. O histórico de falhas também indicava impactos relevantes em segurança, meio ambiente e resultados financeiros.

Ao avaliar os custos acumulados da frota entre 2017 e 2020, a análise chegou a um valor de R$ 43,37 milhões para o custo do ciclo de vida. Desse montante, aproximadamente R$ 35,5 milhões correspondiam ao lucro cessante provocado pelas paradas dos equipamentos. Ou seja, a maior parcela do impacto econômico não estava necessariamente na oficina ou na compra de peças, mas na produção que deixava de ocorrer enquanto os ativos permaneciam indisponíveis.

A metodologia também permitiu identificar o momento em que a manutenção dos equipamentos começou a perder eficiência econômica. O indicador ERV (Estimated Replacement Value), que relaciona os custos de manutenção ao valor de aquisição de um equipamento novo, apontou os primeiros sinais de inviabilidade a partir de 2018. A partir de 2019, o ativo já não apresentava eficiência econômica para o processo.

Outro indicador utilizado foi o Custo Anual Uniforme Equivalente (CAUE), que permite comparar os custos de equipamentos em diferentes horizontes de utilização, indicando que a substituição da frota deveria começar gradualmente a partir de 2019 e ser concluída em 2020.

A aplicação da metodologia também contribui para integrar manutenção, engenharia, operação, segurança, meio ambiente e área financeira em uma mesma decisão. Com informações históricas sobre falhas, custos, desempenho e utilização dos equipamentos, os gestores podem estabelecer critérios para definir quando reparar, reformar, manter ou substituir um ativo.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado Aplicação prática da análise do custo de ciclo de vida de ativos em setor de manutenção de uma mineradora, defendida por Raissa Cristina Alves no Programa de Pós-Graduação em Energia e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação do professor Ulisses Magalhães Nascimento.

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