Elaboração de índices de sustentabilidade contribui para o desenvolvimento das empresas
Na sociedade atual, os valores ligados à sustentabilidade têm sido institucionalizados em maior ou menor grau nos diversos países por intermédio de movimentos sociais e ambientalistas, bem como pelos próprios governos. A sensibilizaç&atild…
Na sociedade atual, os valores ligados à sustentabilidade têm sido institucionalizados em maior ou menor grau nos diversos países por intermédio de movimentos sociais e ambientalistas, bem como pelos próprios governos. A sensibilização quanto ao tema, faz com que a sustentabilidade se torne essencial para o setor empresarial, que precisa contribuir com a resiliência do meio ambiente e com a redução da desigualdade social.
A sustentabilidade empresarial está diretamente relacionada com a competitividade da organização, sendo necessário, por parte desta, o acompanhamento periódico por intermédio dos indicadores sustentáveis, que é uma nova prática organizacional. A necessidade de mensurar a sustentabilidade através de indicadores e de índices vem crescendo nos últimos anos, tanto na perspectiva macro (global, regional ou local) quanto na perspectiva micro (organizacional), dado que proporcionam uma orientação geral à sociedade, que pode auxiliar na tomada de decisão e na formulação de estratégias e de políticas.
A elaboração de um índice de sustentabilidade necessita de métodos científicos sólidos para cada uma das etapas, descritas a seguir: (i) seleção de indicadores; (ii) normalização; (iii) ponderação; (iv) agregação e formação do índice; e (v) análise de sensibilidade e incerteza. A etapa de seleção geralmente envolve algumas dificuldades, uma vez que a relação entre cada indicador e o construto é definida em termos de probabilidade e pode envolver, na medida do possível, um grande número de indicadores.
Após selecionar os indicadores, recomenda-se avaliar a possibilidade e a necessidade de normalização ou padronização de suas medidas, com o objetivo de tornar os indicadores adimensionais, facilitando comparações entre eles. Para identificar a relevância de determinado indicador em um conjunto de dados, é feito um processo de ponderação, que permite atribuir pesos para cada indicador para que, em seguida, sejam transformados em pontuação do componente, bem como agregadas em uma pontuação composta.
A agregação é o processo que consiste em combinar um conjunto de indicadores e/ou dimensões em um único elemento de informação. A formação de um índice composto combina indicadores, dimensões e medidas em diferentes escalas. Isso implica uma decisão sobre qual técnica será aplicada para agregar essas informações.
As etapas para construção de um índice composto envolvem juízo de valor, a exemplo da seleção do modelo conceitual, de indicadores, da ponderação desses, etc. Essas fontes de julgamento subjetivo podem afetar a informação trazida pelos índices. Nesse sentido, para auxiliar na avaliação da robustez de um índice composto, aumentar sua transparência e estruturar um debate em torno dele é recomendada a combinação de duas ferramentas, a saber: (i) análise de incerteza, que analisa como a incerteza nos parâmetros de entrada se propaga através da estrutura do indicador composto; e (ii) análise de sensibilidade, que se concentra na contribuição de cada fonte de incerteza em relação à variação do produto.
Os índices de sustentabilidade são úteis para os tomadores de decisões e podem contribuir no desenvolvimento de potencialidades das empresas, bem como na comunicação para com os demais atores sociais envolvidos na busca pelo desenvolvimento sustentável, dado que permitem a interpretação da realidade na qual a empresa está inserida, bem como a divulgação objetiva e transparente dos desempenhos da organização. Assim, os instrumentos criados para mensurar a sustentabilidade das empresas possibilitam agregar valor à organização e melhorar os relacionamentos com as partes interessadas.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Proposição de um novo modelo para avaliar a sustentabilidade empresarial, defendida por Paloma Rayane Silva Bezerra, no Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Campina Grande, sob orientação do professor Fernando Schramm e coorientação da professora Vanessa Batista Schramm.
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