Resíduos e reciclagem

Biogás proveniente de aterros sanitários impulsiona a erradicação de lixões 

O biogás proveniente de aterros sanitários vem se tornando uma fonte potencial de energia renovável. Além da produção de energia elétrica para suprir as demandas locais, com a geração distribuída, contribui ain…

Biogás proveniente de aterros sanitários impulsiona a erradicação de lixões 

O biogás proveniente de aterros sanitários vem se tornando uma fonte potencial de energia renovável. Além da produção de energia elétrica para suprir as demandas locais, com a geração distribuída, contribui ainda para a diminuição de danos ambientais da disposição final de resíduos sólidos urbanos (RSU), para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para impulsionar a erradicação de vazadouros a céu aberto (lixões).

Esta alternativa torna-se ainda mais atrativa quando, em uma visão holística, destacam-se as contribuições e melhorias para a segurança energética, incrementando a geração de energia elétrica e térmica de fonte renovável descentralizada (geração distribuída – GD), bem como o aumento das taxas de autossuficiência no tratamento de RSU, na geração de energia e na utilização dos recursos. 

A geração de energia elétrica a partir do biogás se dá a partir da utilização de dispositivos tecnológicos que em uma primeira etapa convertem a energia química presente no combustível, o metano, em energia cinética de rotação, através dos motores. O motor se conecta a um gerador, que transforma esta energia cinética de rotação em energia elétrica. Qualquer que seja o dispositivo que converta a energia química do metano em energia cinética de rotação, este deverá estar conectado a um gerador para a produção da energia elétrica. Existem diferentes tipos de rotas tecnológicas para viabilizar a utilização do biogás produzido em aterros sanitários. 

O biogás gerado nos aterros sanitários é captado, podendo, em seguida, ser direcionado a quatro formas distintas de aproveitamento: a geração de energia elétrica; a geração de energia térmica; o uso como combustível veicular; e o uso para iluminação a gás. Todavia, é de suma importância conhecer os parâmetros característicos do biogás gerado, como a vazão, a composição química e o poder calorífico, uma vez que são justamente estes parâmetros que são determinantes do real potencial energético do biogás. 

Isso significa que, independentemente do tipo de aproveitamento do biogás, o sucesso da proposta está na eficiência dos sistemas de extração e purificação do biogás, aumentando, assim, seu poder calorífico e reduzindo os contaminantes que reduzem seu potencial energético. As impurezas contidas no biogás podem afetar a eficiência de conversão energética dos equipamentos ao longo do tempo, uma vez que podem reagir com os materiais que os constituem. Desta forma, quanto maior a concentração de metano e quanto mais puro for o biogás, maiores são as garantias. 

A dissertação de mestrado , defendida por Wemerson Rocha Ferreira, junto ao Departamento de Engenharia Nuclear da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação da professora Antonella Lombardi Costa e coorientação da professora Bruna Fátima P. Guedes Flausino, apresentou cenários do potencial do uso do biogás a partir de RSU nos dezessete Territórios de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais, no horizonte de 2050. 

Dentre todos, o Metropolitano apresenta o maior potencial de geração de RSU, com 3.562.979 t/ano, de um total de 9.319.081 t/ano para todo o Estado. Com isso, o potencial teórico do Metropolitano para a produção de biogás de aterro e seu possível aproveitamento para a geração de eletricidade é de 2.237,06 MWh/dia, sendo que este cenário tem como tecnologia de conversão energética o motor Ciclo Diesel. O melhor resultado para o Estado corresponde a uma potência “instalada” de 5.851,11 MWh/dia para o ano de 2050. 

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