Resíduos e reciclagem

Compostagem de resíduos orgânicos traz ganhos ecológicos e sociais

A geração de resíduos orgânicos representa a maior fração dos resíduos sólidos gerados pelo modo de vida urbano nas cidades do mundo, sendo sua representatividade inversamente proporcional ao nível de desenvolvimento e…

Compostagem de resíduos orgânicos traz ganhos ecológicos e sociais

A geração de resíduos orgânicos representa a maior fração dos resíduos sólidos gerados pelo modo de vida urbano nas cidades do mundo, sendo sua representatividade inversamente proporcional ao nível de desenvolvimento econômico do país.

No Brasil, o cenário de tratamento desses resíduos ainda é incipiente, no qual apenas 0,3% dos resíduos são compostados. Com vistas a alterar o quadro, o Ministério do Meio Ambiente formulou a Resolução CONAMA nº 481 (2017), que estabelece critérios e procedimentos para garantir o controle e a qualidade ambiental do processo de compostagem de resíduos orgânicos.

Segundo a Resolução, para que ocorra a compostagem é necessário que o processo seja biológico e controlado, onde uma população diversificada de organismos irá degradar o material, em condições aeróbias e termofilicas, resultando como produto final, um material estabilizado, com propriedades e características diferentes do material de origem.

Contudo, quando comparados com materiais prontamente recicláveis como papel, plástico e metal, a recuperação da fração orgânica apresenta desafios. Dentre as dificuldades para se realizar a compostagem, a geração de odores é a principal. Emissão de gases e bioaerossóis são preocupações a serem superadas em plantas de compostagem.

Desse modo, para a produção de composto de alta qualidade, controle e gerenciamento do processo são indispensáveis. Entre os parâmetros observados estão: pH, relação carbono/nitrogênio (C/N), umidade do material e durante o processo de degradação, taxa de aeração, tamanho das partículas e porosidade. Erros na condução do processo levam a produção de odores, aumento dos impactos ambientais e a um composto de baixa qualidade.

Quando bem executada, a compostagem é uma opção viável e traz muitos benefícios ambientais, como a redução de gases de efeito estufa (GEE), diminuição da produção de chorume em aterros sanitários e tem potencial para uso como fertilizante de solo.

A manutenção da temperatura na fase termofilica em processos de compostagem superiores a 55ºC eliminam patógenos e ervas daninhas em composto. Para a saúde humana, esse tipo de compostagem exerce papel importante na eliminação de organismos patogênicos. 

Outro benefício da compostagem, além dos ganhos ecológicos e sociais, é que nas cidades menores, onde há ausência de recursos, ela pode ser uma alternativa aos lixões ainda em operação no Brasil. Atualmente, para grandes cidades, devido a saturação dos aterros sanitários existentes a indisponibilidade de áreas próximas aos grandes centros urbanos, pode contribuir para a alteração do modelo adotado.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado Compostagem em Áreas Urbanas: lições aprendidas no projeto feiras e jardins sustentáveis da Lapa, São Paulo - SP, Brasil, defendida por Rafael Golin Galvão, no Programa de Pós-Graduação em Cidades Inteligentes e Sustentáveis na Universidade Nove de Julho - UNINOVE, sob orientação do professor Mauro Silva Ruiz.

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