Compostagem de substratos da cama de aviário apresenta benefícios ambientais e econômicos
A atividade socioeconômica de avicultura, além de gerar emprego, renda e alimento, também gera uma quantidade significativa de resíduos, denominado por cama de aviário. A cama de aviário é constituída por excrementos e as pen…
A atividade socioeconômica de avicultura, além de gerar emprego, renda e alimento, também gera uma quantidade significativa de resíduos, denominado por cama de aviário. A cama de aviário é constituída por excrementos e as penas das aves, a ração desperdiçada e o substrato absorvente de umidade usado sobre o piso dos aviários, sendo considerada, a cama, um resíduo com alta concentração de nutrientes e que pode ser usada como fertilizante de solos, por apresentar altas concentrações de nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K), além de substâncias orgânicas que demandam oxigênio na sua estabilização.
Também é possível utilizar a cama de aviário para a geração de energia no próprio aviário, por meio da biodigestão ou digestão anaeróbia, e o biogás produzido por estes processos, pode ser utilizado para o aquecimento dos pintainhos e também na substituição da energia elétrica.
A aplicação de compostos orgânicos ao solo, proporciona diversos benefícios sobre as suas propriedades físicas, químicas, físico-químicas e biológicas. Dentre as propriedades físicas pode-se citar a melhoria da estrutura, aeração, drenagem interna e armazenamento de água; nas condições químicas dos solos, esses compostos proporcionam o enriquecimento gradual do solo com macro e micronutrientes e sobre as propriedades físico-químicas, melhora a adsorção de nutrientes e a capacidade de troca de cátions (CTC), diminuindo a lixiviação de nutrientes causadas pela chuva.
A melhor forma para não se causar a depreciação dos recursos naturais pelo descarte do resíduo oriundo da produção avícola é a aplicação de boas práticas de produção e uma dessas formas é o aproveitamento dos resíduos como fonte de nutrientes para as culturas vegetais após sofrer um processo de compostagem ou biodigestão.
A compostagem consiste basicamente na geração de um composto por meio da disposição e mistura de materiais orgânicos, de origem vegetal e animal, para que ocorra de forma acelerada o processo natural de decomposição pela ação de microrganismos, por isso é considerada uma forma eficiente de tratar a cama de aviário. Em condições controladas, como o monitoramento da temperatura, umidade e aeração, pode gerar um composto de qualidade, com maior disponibilidade de nutrientes, e este pode ser usado como fertilizante agrícola, substituindo assim, o uso de fertilizantes minerais.
Para que todo ciclo de compostagem esteja completo são necessários aproximadamente de 90 a 120 dias após mistura dos materiais orgânicos (dependendo da relação Carbono/Nitrogênio do resíduo), tendo como resultado um composto normalmente escuro e de textura turfa, utilizado como condicionador de propriedades físicas e biológicas do solo, assim como, um composto fertilizante que fornece os nutrientes essenciais para o suprimento das plantas.
A compostagem é um método de fácil implementação e baixo custo, o que pode contribuir com os avicultores para produzir um composto de melhor qualidade e destinar esse resíduo adequadamente, sem causar impactos ambientais, e até mesmo comercializá-lo.
É possível realizar a comercialização de cama de aviário desde que sejam seguidas as técnicas de métodos e análises oficiais descritas no manual de métodos analíticos oficiais para fertilizantes e corretivos do MAPA, de acordo com o Decreto nº 4.954, de 14 de janeiro de 2004 e atualizações do Decreto nº 8.059, de 26 de julho de 2013 e as características nutricionais determinadas estejam de acordo com o descrito na Instrução Normativa SDA/MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 25/2009 e também devem ser seguidas.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Compostagem e caracterização físico-química de substrato de cama de aviário: estudo de caso, defendida por Jéssica Luiza Botega, no Programa de Pós-Graduação em Tecnologias Ambientais – PPGTAMB – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, sob orientação da professora Eliane Rodrigues dos Santos Gomes e coorientação do professor Ismael Laurindo Costa Junior.
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