Design como instrumento de fomento para a transição da lógica linear para a circular
O design de produto industrial envolve um processo técnico e criativo relacionado com a concepção, elaboração e especificação de um artefato. Este processo é orientado por um objetivo ou um propósito. É uma ide…
O design de produto industrial envolve um processo técnico e criativo relacionado com a concepção, elaboração e especificação de um artefato. Este processo é orientado por um objetivo ou um propósito. É uma ideia, um projeto ou um plano para a solução de um problema determinado. Seu conceito compreende a concretização de uma ideia em forma de projetos ou modelos, mediante a transformação de materiais, construção e configuração física, resultando em um produto industrial passível de produção em série.
O design trafega por uma via de mão dupla em que influencia e ao mesmo tempo em que sofre influências da sociedade e, portanto, da cultura. O design também é um processo de transformação de materiais, objetivando a produção de um produto ou sistema de produtos que satisfazem às exigências do ambiente humano. Começa pelo desenvolvimento de uma ideia, concretiza-se em uma fase de projeto e tem por finalidade a resolução dos problemas que resultam das necessidades humanas. É também um poderoso estímulo ao consumo, que se tornou indispensável na contemporaneidade fornecendo aos objetos características estéticas, culturais, de personalidade e de funcionalidade.
Nas últimas duas décadas, desde que o conceito de Desenvolvimento Sustentável passou a fazer parte das políticas internacionais de modo mais efetivo, o meio ambiente passou de uma fonte inesgotável de recursos e receptor de resíduos infinito, para o status de ativo da sociedade global e tem sido o foco de contínuas discussões em nível mundial. Neste contexto, os tradicionais domínios do design, até então profundamente interconectados com os padrões de produção e consumo determinados pelo meio industrial e social, passaram a sofrer influências e a incluir questões ecológicas na pauta de discussões e ações em níveis nacionais e internacionais.
A Economia Circular (EC) é um conceito estratégico assentado na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, substituindo o conceito de fim de vida da economia linear, por novos fluxos cíclicos perenes, num processo integrado. Entende-se que as atividades econômicas em uma EC geram e recuperam valor de produtos e serviços, mantidos por longo prazo e para todas as partes envolvidas no sistema econômico. Sua implantação baseia-se na preservação e na valorização do capital natural, minimizando desperdícios. O conceito atua nos diversos elos das cadeias, das etapas de concepção à reentrada nos ciclos produtivos.
No âmbito da indústria, o design tornou-se um valioso instrumento de fomento para a transição da lógica linear para a circular, na medida em que se projeta para vários ciclos de vida, economicamente viáveis e ecologicamente eficientes, considerando a viabilidade do desenvolvimento de produtos e serviços mais duradouros que utilizem menos recursos naturais e energéticos.
Considera-se que é na fase de design que a maioria das características de um produto, ao longo de seu ciclo de vida, são definidas. Sob a ótica dos processos produtivos, o design passou a desempenhar um papel fundamental, tornando exequível a proposição de novos cenários, processos e sistemas baseados em diretrizes de desenvolvimento sustentável, assumindo novas funções diante do atual panorama socioeconômico e ambiental.
Somente uma abordagem ampla e integrada das competências do designer poderia viabilizar a passagem do projeto unicamente focado no desenvolvimento econômico, para projetos sistêmicos, baseados em requisitos ambientais e sócio éticos. Tornou-se evidente e necessária uma profunda reavaliação dos fundamentos do design, de modo que a atividade de projeto se tornasse mais eficiente, acessível, eficaz e coerente, capacitando o designer para atuar de forma crítica e participativa e não como mero executor de projetos, submisso a interesses comerciais e mercadológicos.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Luiz Carlos Fernandes Pereira, no Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade de Brasília, sob orientação da professora Ana Cláudia Maynardes.
Postagens relacionadas
Blog Sobratema
Celulares quebrados revelam desafios da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos
A substituição de uma tela, uma bateria ou uma peça de um celular parece uma operação simples, mas cada reparo pode gerar diferentes tipos de resíduos eletroeletrônicos. Plásticos, telas, baterias e placas de circuito impresso possuem características distintas e, portanto, demandam formas específicas de armazenament...
Blog Sobratema
Avaliação do Ciclo de Vida ex-ante aponta ecoeficiência do óleo extraído da amêndoa da castanha de caju
Os óleos vegetais são uma fonte importante de calorias usados na preparação de margarinas, óleos de salada e frituras, e constituem formulações industriais e base biológica, incluindo lubrificantes, óleos secantes e b…
Blog Sobratema
Aplicação da circularidade na área de veículos comerciais traz benefícios ambientais, sociais e econômicos
Na Economia Circular, toda a cadeia de valor do produto é levada em consideração, desde a extração de matéria-prima, conversão, fabricação, distribuição, uso e, por fim, a gestão do final de vida,…
Blog Sobratema
Aproveitamento de resíduos na indústria de papel e celulose estimula a circularidade
O setor industrial de papel e celulose foi um dos primeiros setores a alavancar a sustentabilidade no Brasil. Esta afirmação é confirmada pelo fato de as empresas terem se dedicado nos programas de certificação ambiental, florestal e de responsa…