Mudanças climáticas

Influência das emissões do transporte marítimo na saúde humana

As emissões dos barcos durante as últimas décadas aumentaram consideravelmente a nível mundial, onde prevê-se que o transporte marítimo emitirá 17% das emissões mundiais de gases de efeito estufa em 2050, e é o princip…

Influência das emissões do transporte marítimo na saúde humana

As emissões dos barcos durante as últimas décadas aumentaram consideravelmente a nível mundial, onde prevê-se que o transporte marítimo emitirá 17% das emissões mundiais de gases de efeito estufa em 2050, e é o principal modo para o transporte de carga, com aproximadamente 90% do comércio mundial.

O segmento contribui com 15% dos NOx antropogênicos e 8% das emissões de SOx. As emissões do setor de transporte comercial internacional contribuem com 1-2% das emissões globais de Black carbono (BC). A contribuição direta do tráfego marítimo nas concentrações atmosféricas é muito variável entre um lugar e outro como consequência da distância física, mas também devido aos efeitos meteorológicos e micro meteorológicos locais que influenciam na dispersão das plumas emitidas pelos barcos. As emissões dos barcos têm uma influência significativa sobre a qualidade do ar local, especialmente quando os portos estão localizados perto de cidades.

Um estudo acadêmico modelou o impacto das emissões dos barcos na qualidade do ar nos parques nacionais de Alasca, concluindo que as embarcações foram responsáveis por 30-40% das concentrações de Material particulado (MP2.5 e 10% das de MP10).

Pesquisadores também modelaram as concentrações ambientais de MP oriundas de navios oceânicos utilizando dois inventários de emissões e dois modelos globais de dispersão, e estimaram a mortalidade regional aplicando aumentos ambientais de MP devido a barcos e modelos populacionais. Os resultados indicaram que as emissões relacionadas ao transporte são responsáveis por 60.000 mortes por câncer cardiopulmonar e pulmonar anualmente, com a maioria das mortes ocorrendo perto das costas na Europa, Ásia Oriental e sul da Ásia.

O Brasil ocupa a terceira posição entre os países com maior potencial de exploração de águas internas navegáveis e os navios são usados para transporte de carga e passageiros, destacando o turismo. Dados de 2013 mostravam que o Brasil contava com uma frota de 70 mil embarcações acima de 4,88 metros, que inclui lanchas, veleiros, iates e embarcações de médio porte (comprimento inferior a 24 metros).

Assim, é de suma importância estudar os poluentes emitidos pelos barcos e como eles afetam a saúde humana, já que o transporte de passageiros e carga está em crescimento a nível mundial. Para isso, é fundamental determinar os níveis de exposição pessoal, que é definida como um evento que ocorre quando a pessoa entra em contato com um poluente de certa concentração durante um período de tempo determinado.

Ainda, outro conceito intimamente relacionado à exposição pessoal é a de dose de um poluente, que consiste na passagem do poluente através de uma fronteira física, ou seja, é a quantidade de material absorvido ou depositado no corpo durante um período de tempo. A exposição no interior dos barcos depende das condições do motor e a localização do assento do passageiro.

Requerem-se estimativas precisas da exposição das pessoas à poluição do ar para compreender o alcance e a magnitude de seus impactos sobre a saúde. A medida contínua das concentrações de poluentes com as quais uma pessoa entra em contato é a melhor forma de avaliar sua exposição. Isto permite quantificar a contribuição de diferentes atividades e microambientes a sua exposição diária total, o que proporciona uma base para identificar onde e como se podem reduzir as exposições.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Álvaro Alfredo Parra Coloma, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, sob orientação da professora Patricia Krecl.

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