Agronegócio Políticas e regulação

Manejo florestal sustentável é viável, mas exige conhecimento amplo das espécies

No Bioma Mata Atlântica, a supressão de vegetação para instalação de atividades agropecuárias e a exploração florestal madeireira vinha sendo realizada sem qualquer critério até meados da década de…

Manejo florestal sustentável é viável, mas exige conhecimento amplo das espécies

No Bioma Mata Atlântica, a supressão de vegetação para instalação de atividades agropecuárias e a exploração florestal madeireira vinha sendo realizada sem qualquer critério até meados da década de 1990. Isso impactou quase a totalidade das florestas no estado de Santa Catarina. As áreas que não foram desmatadas sofreram intensa exploração madeireira e foram fragmentadas ao extremo.

Para frear a degradação que vinha ocorrendo, o governo federal publicou, em 1990, o Decreto nº 99.547, cujo Artigo 1º vetou por prazo indeterminado o corte e a respectiva exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica em todo o Brasil.

Posteriormente, essa normativa foi substituída pelo Decreto nº 750 de 10 de fevereiro de 1993, o qual manteve a proibição, mas em seu Artigo 2º especificava que a exploração seletiva das espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica, poderia ser realizada desde que fossem observados alguns critérios para a autorização, como a elaboração de planos fundamentados em estudos prévios técnico-científicos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção das espécies florestais. Em outras palavras, a exploração florestal no bioma Mata Atlântica só poderia ser realizada mediante o Manejo Florestal Sustentável.

Na região de ocorrência da Floresta Ombrófila Mista (FOM), também conhecida como Floresta com Araucária ou Mata de Araucária, historicamente vinha ocorrendo exploração de araucária, imbuia e xaxim para fins industriais, inclusive para exportação. Essa prática, aliada ao desmatamento para atividades agrossilvipastoris, ocasionou a redução dos estoques dessas espécies e fragmentou os remanescentes florestais a ponto de prejudicar a diversidade genética necessária para a manutenção das populações por longo prazo.

A exploração de florestas mediante o manejo florestal sustentável pode ser viável, mas para a sua realização devem ser respeitados preceitos de sustentabilidade econômica, social e ambiental. O conhecimento amplo das espécies é necessário para o sucesso do manejo. Na ausência de informações sobre as espécies a explorar, devem ser tomadas precauções visando minimizar danos às espécies.

O manejo sustentável deve considerar a conservação e melhoria da floresta, prevendo ações de recuperação, restauração, manutenção e regulação, a serem aplicadas nas unidades de manejo florestal. A sustentabilidade da floresta é mantida com a observação da capacidade de recuperação da biomassa, a manutenção da produtividade no futuro e da qualidade genética das populações.

Como resultado do mau uso das florestas no passado, inclusive sob o pretexto de manejo florestal sustentável, temos que, dos 22,9% das florestas naturais remanescentes em Santa Catarina, 12% estão em fragmentos com área entre um e três hectares, o que dificulta a manutenção dos processos ecológicos. Atualmente menos de 5% destas florestas podem ser classificadas como maduras e bem conservadas.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Flávio Zanchetti, junto ao Programa de Mestrado Profissional em Perícias Criminais Ambientais da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do professor Alfredo Celso Fantini.

Voltar para Blog