Manter as pastagens em boas condições e recuperar as áreas degradadas trazem benefícios ambientais
A gestão da pastagem possibilita estabelecer arranjos hierárquicos dos quatro fatores envolvidos em um sistema de produção animal: recursos físicos (características edafológicas e climáticas); recursos vegetais (aspectos mor…
A gestão da pastagem possibilita estabelecer arranjos hierárquicos dos quatro fatores envolvidos em um sistema de produção animal: recursos físicos (características edafológicas e climáticas); recursos vegetais (aspectos morfológicos e fenológicos da forrageira); recursos animais; e o sistema de manejo.
Para a ótima gestão da pastagem, o produtor ou gerente da propriedade deve conhecer a situação dos recursos físicos e vegetais da propriedade, pois irá permitir uma melhor gestão desses recursos. Por outro lado, o intervalo de descanso e frequência do pastejo é uma das estratégias mais importantes para manter o bom desenvolvimento do pasto. Definir esses intervalos vai permitir de acordo com o tipo de cultura o máximo de aproveitamento da área foliar como o tempo que precisa para rebrotar de forma ótima.
A sustentabilidade dos pastos tropicais está baseada na eficiência do manejo de solo, especificamente na otimização da ciclagem de nutrientes aplicando, minimizando perdas e priorizando a entrada de nutrientes com adubação de forma periódica e reposição via aumento da matéria orgânica do solo. Já manejo do animal influencia no processo de extração e reciclagem dos nutrientes, ou seja, a pastagem perene e pastejo contínuo a reciclagem dos nutrientes é de 70% a 90%.
Manter as pastagens em boas condições ambientais e recuperar as pastagens degradadas trazem benefícios ao meio ambiente. Por exemplo, a incorporação do enfoque ecológico no sistema produtivo pecuário tem demostrado grandes resultados, como a mudança na concepção de produzir mais em menor área, diminuindo os impactos ambientais. Com o enfoque ecológico, as pastagens são ecossistemas que oferecem serviços e benefícios ambientais, mas que estão ameaçadas pelo processo de degradação. Diante dessa preocupação, o uso de estratégias para o melhoramento das condições ambientais das pastagens que possibilitem a restauração do ecossistema degradado e, em contrapartida, gere benefícios econômicos e ecológicos, tornando-se um sistema de produção pecuária sustentável.
A pecuária é responsável pela emissão de importantes Gases de Efeito Estufa (GEE) como o Metano (CH4), o oxido de nitroso (N2O) e o gás carbono (CO2). Identificando e melhorando as condições de saúde da pastagem e do manejo pecuário, os serviços ecossistêmicos são potencializados, ou seja, diminui a produção de GEE como o CH4 e aumenta o estoque CO2 no solo. Além disso, as pastagens produtivas são tão efetivas para acumular carbono no solo que, em algumas ocasiões, superam o armazenamento das áreas de florestas nativas; aumenta a produção de vapor de água para a atmosfera por meio da evapotranspiração; promovem a conservação dos solos e facilitam a capacidade de rebrota dos pastos.
Em regiões onde predomina a vegetação nativa o desmatamento é mais intenso, particularmente em fronteira com a pecuária bovina extensiva, devido entre outras causas, ao alto investimento que pode representar a recuperação da pastagem que se encontra em um alto nível de degradação, o que leva por preferência desmatar que recuperar.
Por outro lado, isso poderia ser mitigado, uma vez que a recuperação de pastagens também é vista de forma positiva para o meio ambiente, pois contribui para a redução do desmatamento para abertura de novas áreas pela atividade pecuária. Para um hectare de pastagem recuperado, pelo menos dois hectares de vegetação natural deixam de ser desmatados contribuindo para a mitigação das emissões de GEE. Ambientes como o Cerrado, os solos descobertos podem perder a sua produtividade em até 59 toneladas solo/ha/ano, mas pastagens bem manejadas diminuem os riscos de erosão. Na atualidade, a incorporação do enfoque de sustentabilidade no sistema produtivo pecuário tem demostrado grandes resultados, como a mudança de concepção de produzir mais em áreas menores para diminuição dos impactos provenientes da produção.
As informações foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Oscar Ivan de Oro Aguado, no Programa de Mestrado em Ciências Ambientais (CIAMB), da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação do professor Laerte Guimarães Ferreira e coorientação de Fernando Moreira de Araújo.
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