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Mudança no manejo do solo pode reduzir a erosão em área do semiárido

A forma como uma área é utilizada pode alterar significativamente a quantidade de solo perdida durante os períodos de chuva. Uma pesquisa realizada no Cariri paraibano identificou uma diferença de até 152 vezes nas taxas de erosão entre duas parcelas com o mesmo tipo de solo, mas submetidas a manejos distintos: uma...

A) Infiltrômetro posicionado no Neossolo Regolítico; B) Infiltrômetro posicionado no Luvissolo Crômico; C) Ensaio de infiltração no Neossolo Regolítico; D) Ensaio de infiltração no Luvissolo Crômico, ambos fazem parte da EEMPAS, Gurjão-PB. Fonte: Acervo d

A forma como uma área é utilizada pode alterar significativamente a quantidade de solo perdida durante os períodos de chuva. Uma pesquisa realizada no Cariri paraibano identificou uma diferença de até 152 vezes nas taxas de erosão entre duas parcelas com o mesmo tipo de solo, mas submetidas a manejos distintos: uma destinada ao cultivo da palma forrageira e outra mantida em sistema de pousio, no qual a vegetação herbácea se desenvolveu naturalmente.

O resultado foi observado em um Neossolo Regolítico (solos pouco desenvolvidos, com textura predominantemente arenosa. São caracterizados por não apresentarem sinais de saturação por água em suas camadas ao longo do ano). No período monitorado, a parcela com cultivo de palma apresentou perda acumulada de 7,856 toneladas de solo por hectare, enquanto a parcela em pousio registrou 0,052 tonelada por hectare. A diferença evidencia a influência que a cobertura e o manejo da superfície exercem sobre a dinâmica da água e dos processos erosivos.

A presença de vegetação no sistema de pousio foi um dos fatores associados ao menor volume de erosão. A cobertura vegetal protege o solo contra o impacto direto das gotas de chuva, reduz o escoamento superficial e favorece a infiltração da água. Na parcela em pousio sobre o Neossolo Regolítico, apenas dois dos 16 eventos de chuva monitorados geraram escoamento e erosão.

O comportamento também esteve relacionado às características das chuvas, uma vez que os maiores volumes de escoamento e erosão ocorreram durante períodos com precipitações consecutivas. Quando o solo já apresenta maior umidade em razão de chuvas anteriores, aumenta o escoamento superficial e, consequentemente, o transporte de partículas.

A pesquisa mostrou ainda que existem outros fatores na dinâmica erosiva, como intensidade da precipitação, umidade antecedente, características do solo, cobertura vegetal e tipo de uso e manejo. Por isso, estratégias de conservação precisam considerar as características específicas de cada área.

Além do Neossolo Regolítico, o estudo avaliou o Luvissolo Crômico (solos rasos a pouco profundos, férteis e de cores avermelhadas ou amareladas), também representativo do semiárido paraibano. Os dois solos apresentaram comportamentos diferentes: enquanto o Neossolo registrou as maiores taxas de erosão, o Luvissolo apresentou os maiores valores de escoamento superficial. A comparação reforça a importância de conhecer as características do solo antes de definir práticas de uso e manejo. Os ensaios realizados mostraram também variações nas velocidades de infiltração ao longo do ano e entre as duas classes de solo.

Em regiões semiáridas, onde a ocorrência de chuvas pode ser concentrada em determinados períodos, o conhecimento sobre a interação entre chuva, solo, cobertura vegetal e manejo pode contribuir para decisões mais adequadas sobre o uso das áreas rurais. A adoção de práticas compatíveis com as características de cada ambiente pode reduzir processos de degradação e favorecer a conservação dos recursos naturais.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado Processos hidro-erosivos em distintas classes de solo sob diferentes tipos de uso em zona semiárida, de Inocencio de Oliveira Borges Neto, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sob orientação do professor Rafael Albuquerque Xavier e coorientação do professor Bartolomeu Israel de Souza.

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