Indústria

Pontos fundamentais para eficiência no tratamento de águas residuais da indústria de bebidas

O sistema de produção da indústria de refrigerantes envolve as atividades de tratamento de água, xaroparia e linhas de envasamento, os quais mais interferem na diversidade do efluente. Para garantir uma boa eficiência do tratamento, ou seja, qual…

Pontos fundamentais para eficiência no tratamento de águas residuais da indústria de bebidas

O sistema de produção da indústria de refrigerantes envolve as atividades de tratamento de água, xaroparia e linhas de envasamento, os quais mais interferem na diversidade do efluente. Para garantir uma boa eficiência do tratamento, ou seja, qualidade da água é importante analisar as principais características do efluente, como, por exemplo: o pH alcalino, devido às soluções de limpeza utilizadas; DBO e DQO pela elevada carga orgânica, cor e turbidez devida à elevada quantidade ao açúcar do xarope e alguns extratos vegetais empregados na formulação. A composição destes efluentes é bastante variável em função da tecnologia empregada tanto no processo produtivo como nas etapas de lavagem.

Além do conhecimento da composição do efluente industrial, faz-se necessário o conhecimento da vazão, o que possibilita a determinação das cargas de poluição, sendo fundamental na definição do tipo de tecnologia a ser empregada no tratamento, na avaliação do enquadramento na legislação ambiental e para estimar a capacidade de autodepuração do corpo receptor.

A linha de produção das embalagens retornáveis dessa indústria é constituída por extração de canudos, lavadoras, envasadora, lacrador de tampas e aparelhos eletrônicos de teste de produtos não conformes. Inicialmente a extração manual remove os canudos presentes nas garrafas que seguem para a lavadora. Nesta etapa as garrafas são lavadas com solução detergente cáustico aditivado com concentração de 50% de NaOH (hidróxido de sódio) e temperatura de 80°C, dentro da lavadora em reservatório de 3 m³ de solução, pressão dos bicos ±5 bar e tempo padrão estabelecido a fim de evitar que as mesmas não estejam limpas.

No processo seguinte ocorre o enxague com água clorada à temperatura ambiente. Após o envase, as garrafas recebem as tampas no lacrador passando novamente por um detector eletrônico no qual elimina as garrafas que não estejam de acordo com o padrão. A solução de soda cáustica descartada é encaminhada para um tanque de armazenagem e o efluente gerado pela lavadora é enviado para a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE).

No que tange aos tratamentos convencionais de efluentes líquidos da indústria de bebidas, além do pré-tratamento, há também o tratamento primário para remoção de sólidos (rótulos, canudos, bitucas de cigarro, etc.), óleos e gorduras, seguido de tratamento secundário biológico para remoção da matéria orgânica.

Como tratamento primário utilizam-se processos de coagulação-floculação com sais de alumínio ou de ferro, decantação e filtração. Entre esses, o primeiro é o mais utilizado por sua maior eficiência na remoção da DQO e, principalmente, óleos e graxas, os quais podem apresentar cadeias longas de ácidos graxos que apresentam baixas taxas de biodegradação no tratamento biológico posterior.

Os tratamentos biológicos utilizados são os aeróbios e os anaeróbios. Destacando-se entre os primeiros os lodos ativados, os filtros biológicos e as lagoas aeradas. Já entre os anaeróbios os mais utilizados são os filtros anaeróbios e os digestores anaeróbios de fluxo ascendente (mais conhecidos como reatores UASB do inglês Upflow Anaerobic Sludge Blanket), sendo que esses necessitam de menor área para instalação e produzem menor quantidade de lodo para descarte, o que é bastante atrativo para as indústrias.

Considerando-se os problemas relacionados aos tratamentos convencionais, principalmente os biológicos, verifica-se que os físico-químicos associados aos Processos de Separação com Membranas (PSM) podem ser uma das alternativas mais adequadas para tratamento dos efluentes líquidos, contando com várias possibilidades para o reuso da água tratada nesse processo.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Décio Antônio Andres Junior, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Alimentos: Área de Concentração – Engenharia de Alimentos, Departamento de Ciências Agrárias da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – Campus de Erechim, sob orientação dos professores Marcus Vinícius Tres e Rogério Marcos Dallago.

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