Presença de matéria orgânica ajuda no controle da erosão do solo
O uso do solo, de forma imprópria, em conjunto com a variabilidade do regime pluvial, promove a diminuição da infiltração da água, além de comprometer e intensificar a perda de solo agricultável e consequentemente assorear a…
O uso do solo, de forma imprópria, em conjunto com a variabilidade do regime pluvial, promove a diminuição da infiltração da água, além de comprometer e intensificar a perda de solo agricultável e consequentemente assorear a rede de drenagem de modo a afetar a dinâmica da água nas bacias, com reflexo na sua capacidade de gerar e manter um regime de escoamento, com bom grau de regularização.
O processo erosivo é formado por três etapas: a desagregação, o transporte e a deposição de partículas. A energia da chuva é aplicada à superfície do terreno e ao ultrapassar o limite de resistência ao cisalhamento, iniciam se as transferências de matéria por processos de desestabilização dos agregados do solo, de movimentação e transporte de partículas e de sedimentação em zonas mais rebaixadas do relevo.
A duração, intensidade e energia cinética da precipitação interagem de forma direta com a superfície do solo, produzindo resultados distintos em decorrência do manejo adotado. A topografia tem sua importância com relação à declividade e comprimento da encosta sendo um fator determinante na velocidade dos processos erosivos. Isto porque relevos mais acidentados, com declividades mais acentuadas, favorecem o aumento de velocidade do escoamento superficial, aumentando sua capacidade erosiva.
Uma pesquisa observou, por meio de um de um esquema fatorial, com quatro níveis de cobertura do solo, que no tratamento sem cobertura a perda total de solo correspondente à declividade de 20% foi, em média, 1,37 vezes maior que a correspondente à declividade de 10%. Na declividade de 10% a perda total de solo correspondente ao tratamento sem cobertura foi, em média, 4 vezes maior que a correspondente ao tratamento com 1 Mg ha-1 de palha e 16 vezes maior que a correspondente ao tratamento com 5 Mg ha-1. No tratamento com cobertura a perda total de solo correspondente ao tratamento com 1 Mg ha-1 foi, em média, 4 vezes maior que a correspondente ao tratamento com 5 Mg ha-1.
A vegetação de determinado local também é influenciada pela erosão, isto porque o clima será decisivo nas características naturais da cobertura vegetal, definindo o tipo de proteção oferecida ao terreno. Esta proteção consiste na redução do escoamento superficial e na redução do impacto direto das gotas de chuva, diminuindo assim a capacidade das águas de removerem e transportarem partículas do solo.
Solos com baixos teores de matéria orgânica, alta compactação, drenagem insuficiente, podem acelerar o processo de erosão além de limitar a produtividade agrícola e comprometer a sustentabilidade dos ecossistemas. Uma pesquisa observou, em média, redução de cerca de 30% no escoamento superficial e 80% na perda de solo quando o cobriram com resíduos vegetais, em relação ao solo exposto.
A presença de matéria orgânica tem suma importância no controle da erosão, pois provoca aumento na capacidade de infiltração do solo resultando numa diminuição dos possíveis danos causados pela erosão. Essas perdas de solo e nutrientes são ocasionadas pela água da chuva que não encontra barreiras para atingi-lo, descarrega toda sua energia sobre seus agregados que sofreram desagregação e que foram transportados por salpicamento e se depositaram em outro local, o que traz, como consequência, o entupimento dos poros.
O entupimento dos poros causa um selamento superficial, o que afeta a infiltração da água, de modo a aumentar a quantidade de água perdida por escoamento, e que, junto com a mesma, arrasta partículas do solo. Por isso, a amostra com maior quantidade de matéria orgânica possui maior proteção, pois a matéria orgânica além de servir como grande barreira que o protege contra o impacto da gota de chuva dissipa sua energia cinética, o que impede a desagregação e posterior obstrução dos poros e evita a formação de camada de selamento superficial. Assim, a quantidade de água infiltrada acaba sendo maior, o que reduz as perdas por escoamento superficial.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Vitória Fenilli Vidaletti, à Universidade Estadual do Oeste do Paraná, sob orientação da professora Araceli Ciotti de Marins.
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