Sistema de recuperação de calor na indústria cerâmica vermelha pode reduzir a emissão de GEE
Os fornos cerâmicos são classificados como intermitentes quando sua produção se dá por bateladas e não de forma contínua. Mesmo os melhores fornos para produção de cerâmica vermelha têm perdas de calor entr…
Os fornos cerâmicos são classificados como intermitentes quando sua produção se dá por bateladas e não de forma contínua. Mesmo os melhores fornos para produção de cerâmica vermelha têm perdas de calor entre 30 e 60% através dos gases de exaustão. Essas perdas resultam de ineficiências de projetos e de limitações termodinâmicas em equipamentos e processos.
Podem ser feitos esforços para projetar fornos mais eficientes em termos energéticos, com melhor transferência de calor e temperaturas de exaustão mais baixas, mas as leis da termodinâmica colocam um limite inferior sobre a temperatura dos gases de exaustão. A recuperação do calor residual industrial pode ser conseguida através de numerosos métodos onde o calor pode ser reutilizado dentro do mesmo processo ou transferido para outro processo.
As formas de reutilização local de calor na indústria de cerâmica vermelha estão presentes na secagem de peças em estufas, no pré-aquecimento de uma câmara com peças que ainda serão queimadas e no pré-aquecimento do ar de combustão das fornalhas. Tais métodos para recuperar o calor podem ajudar as instalações a reduzir significativamente o consumo de combustível fóssil, bem como reduzir os custos operacionais associados e as emissões de gases poluentes.
O uso de um sistema de recuperação de calor (SRC) em um forno intermitente tipo abóbada pode contribuir com a redução do consumo de combustível durante o ciclo de queima e conseguir reduzir em algumas horas a duração do ciclo. Como consequência direta desta redução está a diminuição de emissões de gases poluentes.
Este sistema pode ser composto de um trocador de calor tipo casco-tubo que se encontra na canalização que interliga o forno à chaminé. O ar de exaustão é forçado a passar por dentro dos tubos do trocador e o ar frio para combustão passa pelo casco, desta forma ocorre a troca térmica entre o ar de exaustão e o ar de combustão.
Além disso, o SRC apresenta maior impacto na curva de queima do forno durante a fase de esquente. Já durante a fase de queima ele eleva mais rapidamente a temperatura do chão do forno. Outro ponto importante é que o sistema não altera significativamente as propriedades físicas e mecânicas dos produtos cerâmicos. Ao contrário, observa-se pequenas melhorias nos valores médios da retração linear de queima.
Portanto, o sistema possui grande potencial para recuperação de calor na indústria de cerâmica vermelha e pode ser adaptado para outros modelos de fornos existentes.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Reaproveitamento Energético em Forno Intermitente na Indústria Cerâmica Vermelha, defendida por Nathálie Terra de Azevedo, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental do Instituto Federal Fluminense de Macaé, sob orientação do professor Marcos Antonio Cruz Moreira e coorientação do professor Vicente de Paulo Santos de Oliveira .
Postagens relacionadas
Blog Sobratema
Potencial da aplicação do lodo de esgoto como adubo em atividades agrossilvipastoris
O tratamento de esgoto sanitário gera subprodutos nas fases líquida, gasosa e sólida. A fração sólida pode compreender o material gradeado, areia, escuma e lodo, sendo o quantitativo gerado diretamente proporcional ao volume de efluente t…
Blog Sobratema
Políticas públicas são essenciais para diminuir o déficit de serviços de esgotamento sanitário
Os maiores investimentos em esgotamento sanitário ocorreram a partir da década de 1950. Mas, os principais pontos históricos de avanços na estrutura de saneamento, que iniciaram na década de 1960 com a criação do Banco Nacional de …
Blog Sobratema
Milho e sorgo podem ser alternativas para produção de biogás
No Brasil, as principais fontes de produção de biogás no Brasil são os aterros sanitários (51%), a indústria de alimentos e bebidas (25%), a suinocultura (14%) e o lodo de esgoto (6%). Devido ao elevado potencial de produção…
Blog Sobratema
Medidas preventivas adotadas no projeto ampliam durabilidade das estruturas de concreto de ETE
O projeto de estações de tratamento de esgotos (ETE) é direcionado pelos constituintes potencialmente danosos ao meio ambiente, como areia, metais pesados e microrganismos capazes de causar desequilíbrios nos mananciais. Assim, geralmente a caracteriza…