Técnicas para potencializar o processo de compostagem de resíduos sólidos orgânicos
Na construção de uma pilha de compostagem é frequente utilizar uma mistura de materiais ricos em carbono com outros ricos em nitrogênio. Os materiais ricos em carbono (agentes condicionantes) fornecem a matéria orgânica e a energia para a c…
Na construção de uma pilha de compostagem é frequente utilizar uma mistura de materiais ricos em carbono com outros ricos em nitrogênio. Os materiais ricos em carbono (agentes condicionantes) fornecem a matéria orgânica e a energia para a compostagem e os materiais nitrogenados (ingredientes primários) aceleram o processo de compostagem, porque o nitrogênio é necessário para o crescimento dos microrganismos.
Durante a montagem das pilhas deve-se prever um espaço para revolvimento do composto (de mesma largura da pilha, aproximadamente 2 metros) ao lado delas. Deve-se também construir valas de escoamento para águas de chuva ao redor das pilhas. A construção das pilhas deve ser realizada distribuindo-se uniformemente os ingredientes primários intercalados com os agentes condicionantes, até atingir uma altura entre 1,5 a 1,8 metro.
O tempo necessário para transformar em composto uma biomassa sujeita a uma bioestabilização aeróbia depende de muitos fatores, como as características da matriz orgânica de partida, a temperatura, a umidade, o tipo de oxigenação e a dimensão da pilha. Se tivermos um adequado teor de umidade (60-65%), uma relação C/N aproximadamente de 25:1, e uma eficaz oxigenação da biomassa, podemos realizar o processo de compostagem em algumas semanas. A maturidade do composto ocorre quando a decomposição microbiológica se completa e a matéria orgânica é transformada em húmus.
Os principais fatores que influenciam o processo de compostagem são os que afetam, direta ou indiretamente o metabolismo dos microrganismos que são responsáveis pela decomposição dos resíduos e sua transformação num produto estável e rico em substâncias húmicas – o composto. O controle e a potencialização dos parâmetros operacionais têm, assim, como objetivo principal proporcionar as condições ótimas para o desenvolvimento dos microrganismos, e deverão ser consideradas desde logo na etapa de condicionamento dos materiais.
Além dos fatores ambientais, também é preciso nutrientes balanceados, expressos pela relação C/N, em quantidades adequadas para que os microrganismos possam exercer a sua atividade. Outro fator que afeta o processo é de ordem operacional, o tamanho das partículas, ou seja, a granulometria influencia o arejamento e a estabilidade geométrica das pilhas ou leiras.
Para a diminuição do tempo necessário para a maturação do composto, eliminar as bactérias patogênicas e gerar um composto rico em nutrientes, uma das técnicas viáveis que tem se mostrado promissora é a inoculação de microrganismos no processo. Já o uso da aeração forçada ou facilitada é uma técnica que na compostagem visa diminuir o tempo de maturação do compostagem fornecendo oxigênio para que a atividade microbiana seja ótima, e para além disso também visa diminuir o uso de mão-de-obra durante o processo já que descarta a necessidade de revolvimento manual. Ainda para aumentar o teor de nutrientes do composto final e diminuir seu tempo para maturação o uso de fertilizantes químicos ou enzimas tem se mostrado promissor pois acelera a ação dos microrganismos.
Estudos investigaram o efeito da aplicação de biochar (biomassa carbonizada ou biocarvão) no processo de compostagem, que pode melhorar as propriedades físico-químicas do composto, melhorar as atividades microbianas e promover a decomposição da matéria orgânica, reduzir as emissões de amônia e metano, e melhorar a qualidade do composto, aumentando o conteúdo total e disponível de nutrientes, aumentando a maturidade e diminuindo a sua fitotoxicidade.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Potencialização da compostagem com aplicação do biocomposto e dimensionamento de pátio para cidade de médio porte, defendida por Guilherme Junqueira Jerônimo, no Curso de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, sob orientação do professor Deusmaque Carneiro Ferreira.
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