Biogás e biometano Frota e produtividade

Uso de biodigestores é alternativa tecnológica para agregação de valor na suinocultura

Atualmente, um grande desafio de regiões de produção intensiva de suínos é equilibrar a pressão pela concentração de animais em pequenas áreas de produção visando o aumento da produtividade e a press&ati…

Uso de biodigestores é alternativa tecnológica para agregação de valor na suinocultura

Atualmente, um grande desafio de regiões de produção intensiva de suínos é equilibrar a pressão pela concentração de animais em pequenas áreas de produção visando o aumento da produtividade e a pressão para que esse processo não afete o meio ambiente. Embora grande parte dos sistemas de manejo e tratamentos de dejetos em uso no Brasil reduzam o potencial poluidor, eles não permitem que o resíduo final seja lançado diretamente nos cursos d’água.

Além dos aspectos ambientais, os processos adotados para o tratamento dos dejetos devem proporcionar agregação de valor ao resíduo final, para torná-lo autossustentável economicamente, através da valorização agronômica do resíduo como fertilizante para a produção comercial de adubo orgânico ou também para a geração de energia térmica ou elétrica.

Nesse sentido, a utilização de biodigestores é uma alternativa tecnológica para o gerenciamento dos dejetos de suínos, o que permite a agregação de valor ao resíduo mediante a utilização do biogás produzido em sistemas de geração de energia e calor. Isso porque o esterco é considerado um fertilizante rico em nutrientes e uma fonte abundante de biomassa, que tem o potencial de ser convertida em energia renovável através de processos biológicos e/ou químicos.

Após ocorrer a biodigestão, o efluente que é liberado após todo o processo anaeróbico tem uma redução do potencial poluidor entre 70% e80% da carga orgânica – em DBO (demanda biológica de oxigênio), ou DQO (demanda química de oxigênio), bem como redução do potencial de contaminação infectocontagiosa em mais de 90%, quando acoplado a lagoas de estabilização.

O tratamento de dejetos suínos por digestão anaeróbica (biodigestor) possui muitas outras vantagens, tais como: capacidade de estabilizar grandes volumes de dejeto orgânicos diluídos a um baixo custo; produção de baixa biomassa e, consequentemente, menor volume de dejetos e menor custo; destruição de organismos patogênicos e parasitas, além da produção do metano que pode ser usado como fonte de energia.

Ademais, o biodigestor representa um recurso eficiente para tratar os excrementos e melhorar a higiene e o padrão sanitário do meio rural, contribuindo para o desenvolvimento sustentável como um todo. Como o biogás torna-se um potencial de geração energética renovável importante e um meio de canalizar plenamente os efeitos negativos da suinocultura criando valor econômico e contribuindo para o abastecimento de energia no país, torna-se importante fazer uma análise das iniciativas de produção por meio de indicadores de sustentabilidade.

Entretanto, quando se busca determinada disponibilidade de biomassa energética em um país ou região, é importante considerar as restrições de ordem ecológica, econômica (incluindo a social e a política) e tecnológica, pois, somente assim toda a biomassa potencialmente disponível pode assumir o conceito de reserva, a partir do qual se determina o potencial anual de produção.

Sendo assim, as restrições ecológicas estão associadas à preservação do meio ambiente e à qualidade de vida. Já as limitações econômicas são analisadas em dois níveis, sendo que, em primeiro lugar, é necessário saber se a biomassa a ser explorada energeticamente não tem outros usos mais viáveis, como industrial ou alimentício, e em segundo lugar, se todos os custos da biomassa explorada são compatíveis com os 35 benefícios energéticos. Finalmente, as restrições tecnológicas se devem à existência ou não de processos confiáveis e operações para conversão da biomassa em combustíveis de uso mais geral.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Eduardo Alves Beskow, no Programa de Pós Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina, sob orientação do professor Hans Michael Van Bellen e coorientação do professor Lauro Francisco Mattei.

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