Políticas públicas precisam ser inovadoras e ter foco na população mais carente para diminuir riscos urbanos
A dinâmica de ocupação para o desenvolvimento urbano, associada à falta de moradia, aos problemas econômicos e ao alto custo do terreno em áreas mais nobres, leva a população de baixo poder aquisitivo para a periferia, onde o …
A dinâmica de ocupação para o desenvolvimento urbano, associada à falta de moradia, aos problemas econômicos e ao alto custo do terreno em áreas mais nobres, leva a população de baixo poder aquisitivo para a periferia, onde o terreno é mais acidentado e inclinado. Somado a esse fato, parte das moradias não teve um acompanhamento de engenheiros ou arquitetos, sendo construída pelos próprios moradores, que não possuem a mesma percepção de risco relacionado ao terreno. Com isso, a moradia pode não ter uma fundação e/ou estrutura bem feitas, que poderiam amortizar deslizamentos ou outros riscos urbanos.
“Por isso, é importante pensar em políticas públicas inovadoras com foco na população mais carente e em uma política habitacional para beneficiar as pessoas, por meio de construções resilientes quando há um evento de escorregamento ou inundação”, pontuou Alessandra Cristina Corsi, pesquisadora na Seção de Investigações, Riscos e Gerenciamento Ambiental da Unidade de Cidades, Infraestrutura e Meio Ambiente, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT), durante o BW Talks Gestão de Riscos Urbanos e Inovação, promovido no dia 22 de setembro.
Para a pesquisadora que desenvolve mapas de riscos urbanos, há alternativas de intervenção do local de risco para tornar ele seguro, como as obras de urbanização para transformar o local. A seu ver, remover as pessoas nem sempre é a melhor situação, pois há um custo social. “Esses locais têm uma infraestrutura consolidada e os moradores têm um círculo de convivência e amizade. O ideal é que a ocupação seja segura”.
A ocupação em áreas impróprias cresceu devido ao empobrecimento da população, na avaliação de Alessandra, e para minimizar os riscos de perder vidas é importante realizar um trabalho educativo para que essas pessoas, que convivem com o risco diariamente, possam saber como tornar o local mais seguro. Nesse sentido, a ocupação de mananciais traz sérios riscos, porque promove o desmatamento e cria problemas, como contaminação do manancial e das nascentes, erosão, assoreamento do corpo hídrico, redução do volume de água e pode, em última instância, inviabilizar reservatórios e o próprio manancial.
Durante o evento online do Movimento BW, iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), a pesquisadora do IPT comentou sobre as mudanças climáticas, com eventos extremos mais frequentes a cada ano. “Apesar de afetar o risco, ainda estamos construindo elementos para reformular a forma de mapear os riscos nas cidades”, disse. Após a ocorrência de um evento extremo, é importante reconstruir o local de uma forma mais segura, utilizando tecnologias, estratégias e soluções que possam atenuar os efeitos dos eventos extremos.
No caso da chuva na cidade, a questão é complexa, porque os cursos d’água estão ocupados, prejudicando a vazão natural do rio. “Os piscinões são necessários. Mas, onde ainda tem cursos d’água a céu aberto, é possível pensar em adotar soluções verdes, em um processo de renaturalização”, ponderou Alessandra, que acrescentou que os alagamentos são um problema de microdrenagem e, hoje, existem soluções inteligentes, como o monitoramento dos bueiros, por meio de sensores, que informam antecipadamente a necessidade de manutenção. Para a pesquisadora do IPT, apoiado em novas tecnologias, é possível atenuar os riscos e construir cidades inteligentes e inclusivas no futuro.
O BW Talks Gestão de Riscos Urbanos está disponível no site oficial do Movimento BW.
Notícias relacionadas
BW Expo · Institucional Congresso, Seminário e Workshop
BW Fórum 2025: Concessionárias investem em tecnologia e em soluções sustentáveis para pavimentação para diminuir o impacto ambiental
A maior fluidez do tráfego e a qualidade do pavimento podem contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE). Segundo os especialistas do 2º BW Fórum, que debateu, no dia 18 de setembro, o tema “Pavimenta&cc…
BW Expo · Institucional Congresso, Seminário e Workshop
Nesta quinta-feira (18/9), BW Fórum 2025 apresenta tecnologias para pavimentação sustentável
Nesta quinta-feira (18 de setembro), a partir das 15h (credenciamento), o 2º BW Fórum vai reunir especialistas para mostrar os avanços tecnológicos da área de pavimentação, visando diminuir o impacto ambiental do setor, oti…
BW Expo · Institucional Congresso, Seminário e Workshop
BW Fórum debaterá como a tecnologia contribui para reduzir o impacto ambiental na área de pavimentação
O Movimento BW, uma iniciativa da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), promoverá no dia 18 de setembro, a partir das 15h, no CBB – Centro Brasileiro Britânico, o BW…
BW Expo · Institucional Congresso, Seminário e Workshop
Movimento BW apresenta série sobre a transição energética na área de máquinas
O Movimento BW estreou no dia 23 de janeiro a série BW Fórum, com o intuito de apresentar os principais desafios do setor de máquinas e equipamentos para transição energética e para o enfrentamento das mudanças climáticas. A…