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Celulares quebrados revelam desafios da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos

A substituição de uma tela, uma bateria ou uma peça de um celular parece uma operação simples, mas cada reparo pode gerar diferentes tipos de resíduos eletroeletrônicos. Plásticos, telas, baterias e placas de circuito impresso possuem características distintas e, portanto, demandam formas específicas de armazenament...

Infográfico das categorias de Resíduos Eletroeletrônicos (REEE) conforme a ABDI, dividido em quatro linhas: Branca (eletrodomésticos grandes), Marrom (monitores e áudio), Azul (pequenos eletrodomésticos) e Verde (informática e celulares).

A substituição de uma tela, uma bateria ou uma peça de um celular parece uma operação simples, mas cada reparo pode gerar diferentes tipos de resíduos eletroeletrônicos. Plásticos, telas, baterias e placas de circuito impresso possuem características distintas e, portanto, demandam formas específicas de armazenamento, coleta, tratamento e destinação. Quando esses materiais não retornam ao ciclo produtivo, além do impacto ambiental, são desperdiçados recursos que poderiam ser recuperados.

As placas de circuito impresso (PCI) são um exemplo desse potencial. Presentes em todos os smartphones, elas concentram uma parcela significativa dos metais utilizados nesses equipamentos, incluindo cobre, estanho, níquel, ferro, chumbo e até metais preciosos, como ouro. A recuperação desses materiais reduz a necessidade de extração de novas matérias-primas e pode contribuir para diminuir os impactos ambientais associados à mineração.

O mesmo princípio se aplica a outros componentes. As baterias de celulares contêm diferentes metais, entre eles níquel, cobre, zinco, cádmio, manganês e lítio, alguns dos quais podem oferecer riscos à saúde humana e ao meio ambiente quando manejados de maneira inadequada. Por isso, esses resíduos precisam ser segregados e encaminhados para sistemas de coleta e tratamento apropriados.

O processo de reciclagem adequada dos resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (REEE) é geralmente dividido em três etapas principais: coleta, pré-processamento e processamento final. A coleta eficaz dos resíduos é fundamental para garantir que eles sejam devidamente encaminhados para as etapas subsequentes do processo de reciclagem. O pré-processamento envolve a triagem e a separação dos diferentes materiais presentes nos REEE, preparando-os para o processamento final.

O processamento final dos REEE geralmente inclui técnicas específicas para extrair e recuperar os metais valiosos presentes nos resíduos, como ouro, prata, cobre e outros. Esse processo requer tecnologias especializadas e métodos cuidadosos para garantir a eficiência da recuperação dos materiais e minimizar o impacto ambiental associado às operações de reciclagem, observa-se a importância de adotar práticas sustentáveis e eficientes no tratamento dos REEE, visando não apenas a proteção do meio ambiente e da saúde humana, mas também o aproveitamento dos recursos valiosos contidos nesses resíduos para promover uma economia mais circular e sustentáveis.

A reciclagem dos aparelhos celulares apresenta um índice potencial de reciclagem de até 90%, demonstrando uma alta capacidade de reaproveitamento de materiais. Esse processo contribui significativamente para a redução do impacto ambiental e a conservação de recursos naturais.

A logística reversa de REEE pode se tornar uma realidade, capaz de gerar o ciclo fechado de produção e descarte de eletroeletrônicos. Em consonância com esse tipo de produção sustentável, as empresas fabricantes de celulares e de telecomunicações no Brasil possuem programas de logística reversa. Entretanto, seu funcionamento depende da participação articulada de fabricantes, comerciantes, prestadores de serviços, consumidores e poder público. Quando um dos elos não está conectado ao sistema, materiais que poderiam ser reciclados ou reaproveitados podem perder seu valor e terminar em locais inadequados. Criar canais eficientes para esse retorno significa preservar matérias-primas, reduzir a pressão sobre os recursos naturais e transformar resíduos em fontes secundárias de materiais.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado Gerenciamento dos resíduos eletroeletrônicos na cidade de Pombal - PB: um estudo de caso, defendida por Delano Henriques de Sá Resende, no Programa de Pós-Graduação em Gestão e Sistemas Agroindustriais da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), sob orientação do professor Luiz Gualberto de Andrade Sobrinho.

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