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Publicado em 16 de outubro de 2019 por Mecânica de Comunicação

Reuso de água em indústrias é técnica sustentável para gerar economia de gastos

Um dos maiores problemas ambientais é a preocupação mundial com a manutenção da qualidade da água para o uso humano, pois o emprego intensivo nos setores agrícolas e industriais tem reduzido a disponibilidade do recurso natural para uso doméstico. Uma das alternativas para a redução da extração de água e da poluição hídrica é a prática do reuso. Embora o Brasil não possua uma legislação específica para incentivar a prática, algumas indústrias já possuem como política interna o reuso e/ou a recuperação de água para a redução dos custos de fornecimento e de descarte de águas residuárias.   

No setor industrial, a água é usada em uma série de atividades. No caso das indústrias alimentícias, estima-se que 71% da água utilizada é destinada à lavagem de reatores; ainda neste setor, 11% são gastos em lavagem de tanques móveis, 7% em torres de resfriamento, 6% nas caldeiras, 4% com vasos sanitários e 1% com a irrigação de áreas verdes. Já em outros casos, a água é um recurso indispensável para os processos fabris, como em indústrias de produtos químicos orgânicos, onde 91% da água está ligada aos produtos processados.  

Na indústria farmacêutica o uso da água também é necessário e, assim como no setor de alimentos, o recurso precisa atender altos padrões de qualidade, devendo apresentar níveis satisfatórios em quesitos como alcalinidade e presença de ferro. Em uma empresa produtora de vacinas e biofármacos, por exemplo, são usados dois litros de água para cada dose de produto fabricada, sendo que, em um ano, uma companhia de grande porte é capaz de produzir até 90 mil doses de remédios. Uma recente pesquisa acadêmica investigou um centro de tratamento de água em uma empresa produtora de vacinas. Nesse caso, foi constatada a possibilidade de reuso direto da água residual gerada durante a produção de água purificada, pois o volume descartado pela unidade de osmose reversa está entre 10 e 17% de todo o recurso que abastece a empresa, correspondendo a quase toda água usada nas torres de resfriamento e superando a necessidade das caldeiras. Utilizando a técnica de reuso, estima-se uma economia direta média de 30.000 m³ de água, representando R$ 500.000 por ano.     

A versão integral da pesquisa, intitulada Reuso de efluentes industriais gerados durante a produção de água purificada na Central de Tratamento de Água do Centro Tecnológico de Vacinas de Bio-Manguinhos/FIOCRUZ, foi aprovada como dissertação de mestrado pela Fundação Oswaldo Cruz. A autoria é de Barbara de Andrade com orientação de Paulo Lacerda e Jaime Oliveira.   
 

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