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Economia circular depende de logística reversa estruturada para recuperar embalagens

A embalagem não encerra seu ciclo de vida quando o produto é consumido. Papel, papelão, plástico, vidro e metal podem retornar à cadeia produtiva, reduzindo a demanda por matérias-primas e o volume de resíduos destinados ao descarte. Para que isso aconteça, porém, é necessário articular coleta, triagem, transporte,...

Diagrama do Sistema de Economia Circular. Fonte: Elaborado pela Autora; adaptado de ELLEN MACARTHUR, 2019

A embalagem não encerra seu ciclo de vida quando o produto é consumido. Papel, papelão, plástico, vidro e metal podem retornar à cadeia produtiva, reduzindo a demanda por matérias-primas e o volume de resíduos destinados ao descarte. Para que isso aconteça, porém, é necessário articular coleta, triagem, transporte, reciclagem e participação dos consumidores, além de definir as responsabilidades de cada agente envolvido. Quando esses elementos funcionam de forma integrada, a recuperação de embalagens pode contribuir para abrir espaço para novos modelos de negócio baseados na economia circular.

Para implementar um sistema que prioriza a recuperação e a circulação dos materiais é preciso garantir que os materiais sejam efetivamente recolhidos, separados e encaminhados a unidades capazes de processá-los. A ausência de coleta seletiva em parte dos municípios, as limitações da infraestrutura de triagem e as diferenças na distribuição das indústrias recicladoras pelo território nacional dificultam o retorno dos resíduos ao mercado.

A logística também interfere nos resultados, pois o transporte pode elevar os custos e comprometer a eficiência da operação, especialmente, quando as unidades de reciclagem estão distantes dos locais de geração. A ampliação da infraestrutura de coleta e processamento, associada à articulação entre municípios, empresas e indústria recicladora, é importante para que os materiais recuperados tenham destinação adequada e encontrem condições de reinserção na cadeia produtiva.

Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes têm participação na cadeia que coloca produtos e embalagens no mercado, enquanto o poder público municipal responde por serviços como a coleta seletiva. Sem atribuições claras, mecanismos de acompanhamento e recursos para viabilizar as operações, parte dos custos e das dificuldades pode recair sobre os municípios e os trabalhadores da reciclagem.

Nesse contexto, catadores, cooperativas e associações desempenham papel relevante na recuperação de materiais, uma vez que a estruturação da logística reversa precisa considerar condições de trabalho, capacitação, infraestrutura e valorização econômica desses agentes, responsáveis por etapas fundamentais para que os resíduos cheguem à indústria recicladora.

O consumidor completa essa cadeia, já que a separação correta dos resíduos, o descarte nos locais apropriados e o acesso à informação influenciam a qualidade dos materiais recuperados e a eficiência da reciclagem.

A concepção das embalagens é outro ponto de atenção, porque a escolha dos materiais, a possibilidade de reciclagem e o dimensionamento adequado devem ser considerados desde o desenvolvimento do produto. Evitar o uso excessivo de matéria-prima e facilitar o reaproveitamento após o consumo são medidas que ajudam a reduzir a geração de resíduos e a tornar a circularidade mais viável.

As informações foram extraídas da dissertação de mestrado A evolução da economia circular no Brasil através da implementação da logística reversa, defendida Sandra Lynette James, no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Católica de Santos, sob orientação do professor Flávio de Miranda Ribeiro.

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