Publicado em 19 de março de 2026 por Mecânica de Comunicação
A economia circular vem se popularizando entre as organizações e elaboradores de políticas, com isso, identificam-se oportunidades consideráveis e benefícios para todos os envolvidos. Com a transição da economia linear para a circular, toda a sociedade poderia ser beneficiada.
Hipóteses na Europa expõem que as ações relacionadas à economia circular reduziriam custos entre 60% e 80% em mobilidade. Tal redução proporcionada por sistemas e soluções de utilização de energia renovável. No ramo alimentício, as ações diminuem desperdícios, gerando uma economia entre 25% e 50%. Com as práticas de reutilização de materiais é possível reduzir de 25% a 35% os espaços construídos.
As empresas adotantes da economia circular ganhariam na competitividade de mercado por conta da minimização dos custos e pela geração de valor. Dentre as possibilidades de reduzir custos, destacam-se a melhor exploração dos materiais, diminuição de desperdício, melhor eficácia dos sistemas produtivos, dentre outras. Além disso, valores que são mantidos por maior período ou através de reutilização são possibilidades e diferenciais de competição.
No Brasil, é possível mencionar a potencialidade do setor eletroeletrônico através da recuperação de materiais e novos serviços, da construção civil com a minimização de geração de resíduos; do setor têxtil com o uso de novos materiais e cadeias de valores; de plásticos com possibilidades de reduzir e recuperar materiais.
Mesmo com os benefícios da economia circular, o progresso, na prática, ainda é lento e isso se deve a existência de diferentes barreiras de implementação. Essas barreiras são possíveis de serem identificadas mediante mapeamento e compreensão de que elas são interdependentes e estão emaranhadas, podendo ser simples ou mais complexas. No entanto, mesmo as pequenas barreiras podem impedir o surgimento de uma economia circular, pois em qualquer processo de implementação haverá direitos de propriedade, estado de direito e sinais de preços orientando a economia.
Logo, a Ellen Mac Arthur Foundation menciona que essas barreiras incluem as políticas fiscais que efetuam o incentivam aos modelos da economia linear, a ausência de mecanismos para a ampliação da formalização e a contribuição entre setores e organizações com atuação informal nos ciclos reversos e questões associadas a propriedade intelectual para novos modelos de negócio circulares.
Outra barreira é a econômica, com a inexistência dos meios financeiros e técnicos para que o conceito de economia circular possa ser aplicado. Há ainda barreiras sociais, como a ausência de interesse das partes envolvidas, visto que obter a aceitação da sociedade para os conceitos da economia circular mostra-se um ponto essencial. Sobre a tecnologia, a maior barreira está na falta da estrutura para implementação e da própria tecnologia nas indústrias.
As questões políticas ficam por conta das complexas burocratizações, e pela carência de incentivos às organizações em relação as fiscalizações e às finanças. Os obstáculos legislativos são gerados pela ineficácia dos regulamentos, haja vista que as leis e diretrizes atuam de maneira fundamental na probabilidade de fomentar a aplicação dos princípios da economia circular.
Os obstáculos institucionais são os moldes das estruturas que se fixam a longo prazo, tornando-se atividades cotidianas, ou seja, a continuidade das práticas dos princípios da economia linear. Por fim, as imposições administrativas são as mudanças para a economia circular que exigem a evolução do saber sobre os modelos, técnicas, procedimentos e sistemas próprios dessa economia.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado A economia circular e as barreiras para a sua implementação, defendida por Lorena Ariesley Rebuci, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), sob orientação do professor Valdir Fernandes.
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