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Publicado em 25 de junho de 2026 por Mecânica de Comunicação

Manejo florestal e regeneração natural contribuem para a mitigação climática

As florestas tropicais são fundamentais para o controle da mudança climática global por ser fonte (via desmatamento e queimadas) ou sumidouro de gases do efeito estufa. A perspectiva é que as florestas tropicais não sobrevivam às mudanças previstas no clima no caso da não mitigação dos impactos causados por ações humanas.

As árvores agem como um sumidouro ao fixar carbono durante a fotossíntese e estocar o carbono excessivo como biomassa. A dinâmica líquida, em longo prazo, de fixação/emissão de carbono das florestas pode tornar-se positiva. De forma distinta, ações antrópicas nas florestas podem afetar a dinâmica de carbono por fatores como a utilização de combustíveis fósseis e a extração da biomassa. Entretanto, de forma geral, aumentando o número de árvores pode-se reduzir o acúmulo de carbono na atmosfera.

As florestas jovens estocam menores quantidades de carbono quando comparada às florestas maduras, porém sequestram mais carbono da atmosfera ao longo do tempo. Já as florestas maduras estocam maiores quantidades de carbono ao longo do tempo, mas sua capacidade de capturar carbono da atmosfera é inferior quando comparada a regeneração natural.

A regeneração natural é um processo de sucessão secundária de uma floresta que sofreu algum tipo de alteração, de forma antrópica ou natural. Em áreas alteradas pela exploração, incêndios florestais e eventos naturais o processo de regeneração natural é um indicador de recuperação da floresta, de forma contínua com fluxos de entradas e saídas dos seres vivos no ecossistema.

As intervenções utilizando técnicas adequadas durante o manejo florestal em áreas florestais podem auxiliar no processo de sucessão e acelerar o desenvolvimento da regeneração, isso impedirá a perda da biodiversidade. As intervenções nas florestas devem ser planejadas com base no comportamento, nas características ecológicas e silviculturais de cada espécie, uma vez que em florestas naturais, as espécies têm participação distinta no processo de regeneração.

Para estimar as taxas de sequestro de carbono de uma floresta é necessário inicialmente conhecer o histórico de ocupação da área e definir se a floresta é primária ou secundária, partindo do conceito que a quantidade estocada de carbono é maior em florestas primárias. O processo de fixação do carbono acontece com maior intensidade nas florestas em formação ou recuperação, por esse motivo é importante conhecer a idade da regeneração para fazer estimativas das taxas anuais de fixação de carbono.

O carbono só é sequestrado da atmosfera quando as árvores estão no processo de crescimento, por meio da regeneração natural, fator que aumenta consideravelmente a biomassa e o estoque de carbono nas florestas. Na Indonésia, um trabalho estimou a biomassa para a regeneração da floresta e chegou a valores médios de 33,00 t.ha-1 para indivíduos com DAP < 10 cm. Já a floresta Amazônica apresentou valores médios de 10,57 ± 2,25 t.ha-1 biomassa para os indivíduos com 5 cm ≤ DAP < 15 cm.

Os indivíduos presentes na regeneração natural das florestas manejadas após a exploração contribuem para o sequestro de carbono da atmosfera, sendo que na idade mais jovem as árvores irão repor o carbono emitido da floresta durante a exploração, isso irá ocorrer pelo fato dos indivíduos da regeneração natural apresentar um crescimento mais rápido quando comparado aos indivíduos maiores.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Dinâmica do carbono na regeneração natural em uma floresta manejada na Amazônia: estudo de caso Mil Madeiras Preciosas, defendida por Elifran Roque Luna, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal do Amazonas, sob orientação do professor Celso Paulo de Azevedo e coorientação da professora Cintia Rodrigues de Souza.