Entidades da Construção apresentam panorama em reunião do Deconcic
A reunião plenária da diretoria do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada na terça feira, 28 de abril,…
A reunião plenária da diretoria do Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada na terça feira, 28 de abril, debateu a atual situação dos setores da cadeia produtiva frente à pandemia do novo coronavírus (Covid-19).
Conduzida pelo diretor titular do Deconcic, José Romeu Ferraz Neto, a videoconferência reuniu representantes de todos os elos da indústria da construção, que apresentaram os primeiros indicadores de atividade levantados após as medidas de quarentena adotadas pelas cidades e estados no Brasil. A Sobratema é representada no Deconcic pelo vice-presidente Eurimilson Daniel.
O consultor do departamento, Fernando Garcia de Freitas, alertou sobre o atraso na divulgação de indicadores econômicos importantes, que tem dificultado obter melhor leitura da atual situação. Os dados disponíveis, no entanto, já indicam que o setor atravessará forte crise nos próximos meses. As concessões do FGTS para crédito imobiliário, por exemplo, reduziram 20%, dada a queda na demanda. Entre os principais fatores que impactam nas atividades do setor estão a restrição da força de trabalho, a queda na renda e no consumo das famílias, a falta de caixa nas empresas e a queda nas exportações.
Garcia detalhou a evolução e a situação dos casos de Covid-19 nas regiões do país, destacando que São Paulo está próxima da taxa de isolamento possível, considerando o funcionamento de atividades consideradas essenciais, que teoricamente abrange cerca de 60% da população. Até o momento, as medidas de quarentena têm se mostrado efetivas no estado para controle da pandemia, em especial na Região Metropolitana de São Paulo. Municípios do interior, regiões periféricas das grandes cidades e alguns estados, porém, tiveram forte aumento no número de casos nas últimas semanas. Dessa forma, a retomada das atividades deverá ser lenta, gradual e muito bem planejada.
O investimento em obras de edificações e infraestrutura, dada sua forte capacidade de geração de emprego, será fundamental para a recuperação da economia. O diálogo constante com os governos deve ser mantido para que os empreendimentos de em andamento sejam concluídos e novos projetos possam ser iniciados, com participação do setor privado.
As entidades da indústria de materiais de construção estão estabelecendo comitês de gestão de crise e produzindo levantamentos com as associadas para monitorar o andamento das atividades e as dificuldades encontradas. Foram relatados, por exemplo, problemas na aquisição de EPIs para funcionários e na oferta de insumos e mão de obra para manutenção de máquinas e equipamentos. O comércio de materiais, por sua vez, relata que embora as lojas nas grandes capitais estejam abertas, outros municípios não permitiram seu funcionamento. O consumo de materiais de construção pelas pequenas reformas e pelos profissionais autônomos, que representa parte importante dos resultados da indústria e do comércio de materiais, irá demorar mais para se recuperar, devido à queda na renda das famílias.
O setor de agregados minerais para construção estima queda de 20% no faturamento até o momento, e as vendas de cimento foram 15% menores em março. Trabalhando atualmente com cerca de um terço da capacidade, as cimenteiras projetam um resultado negativo da ordem de 40% a 50% em abril.
A atividade de arquitetura e urbanismo constatou uma queda de 60% na emissão de Registros de Responsabilidade Técnica (RRT) na primeira quinzena de abril, o que indica forte redução do número de obras nos próximos meses. O mercado imobiliário, por sua vez, busca iniciativas de estímulo, como a campanha “Vem Morar”, criada pela CBIC e Abrainc, para potencializar as medidas anunciadas pela Caixa Econômica Federal. Com duração de 60 dias, a campanha prevê descontos a partir de R$ 3 mil sobre o valor do imóvel para os clientes, e carência de 6 meses para pagamento de financiamentos.
De modo geral, as dificuldades na obtenção de crédito foi um dos principais problemas levantados na reunião. Em alguns casos, como no setor de máquinas e equipamentos (linha amarela), os bancos dos fabricantes têm suprido as necessidades de financiamento. O acesso a linhas para capital de giro, e os recursos de bancos privados e agências públicas de desenvolvimento, no entanto, foram destaques negativos pelas entidades participantes do encontro, que pretendem intensificar os diálogos com o governo e instituições financeiras para melhorar o acesso de recursos às empresas e famílias.
Fonte: Observatório da Construção
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