Publicado em 26 de março de 2026 por Mecânica de Comunicação
A geração de energia elétrica de fonte fotovoltaica cresce a elevadas taxas e vem reduzindo seus custos ano após ano, tornando-se cada vez mais democrática, no que tange a universalização do uso. Esta fonte de energia apresenta alta confiabilidade com baixíssimas taxas de manutenção e carrega o atributo de energia verde, apresentando uma forte pegada ecológica, uma vez que vem contribuindo para redução da emissão de gases de efeito estufa.
Acompanhando todo esse crescimento, surgem alguns questionamentos: quando os atuais e futuros sistemas chegarem ao fim de suas vidas úteis, o que deverá ser feito com os resíduos fotovoltaicos a serem descartados. Estes resíduos poderão ser reciclados, ou caso contrário, se não for possível sua reciclagem, poderão ser reaproveitados e quais problemas estes resíduos podem trazer ao meio ambiente.
De uma forma geral, a composição dos Resíduos de Sistemas Fotovoltaicos (RSVF) são basicamente constituídos pelos mesmos elementos constituintes dos resíduos de produtos eletroeletrônicos (REEE). O que vem a destoar em relação aos REEE, pelo motivo de os módulos fotovoltaicos serem mais de 80% do sistema, é proporção dos elementos constituintes deste módulo, como exemplo o vidro que envolve e encapsula as células fotovoltaicas.
Com o aumento da demanda por sistemas fotovoltaicos é inegável também o incremento futuro na geração de resíduos destes sistemas. A quantidade de REEE gerados em todo o mundo é subestimada, pois não existem métodos precisos para determinar o total de lixo eletroeletrônico descartado no mundo. No entanto, neste aspecto, a questão dos RSFV é um tanto mais facilitada pela forma de como estes sistemas são implantados no mundo, como exemplo o caso do Brasil, onde todos os sistemas legalmente conectados à rede são todos registrados na ANEEL, da mesma forma no restante do planeta esta é a prática adotada.
O desenvolvimento de estratégias para a gestão do ciclo de vida do sistema irá estabelecer projeções futuras mais confiáveis sobre as reais quantidades de RSFV gerados. Entretanto, caso não sejam tomadas ações para o desenvolvimento das estratégias, os resultados poderão ser bastante danosos para o ambiente e pessoas.
Descartes inadequados de RSFV podem se transformar em um problema grave nas regiões de destinação destes tipos de produtos. Dentre os problemas gerados pelo descarte inadequado dos resíduos de módulos fotovoltaicos, temos: lixiviação de elementos químicos perigosos aos seres vivos, como chumbo e cádmio; perda de metais raros (prata, índio, gálio e germânio, e paládio) e perda de outros materiais recuperáveis, não tão raros, mas com valor econômico, como alumínio, silício e vidro. Os metais preciosos contidos nos RSFV requerem manuseio especial e métodos de reciclagem específicos. Estes elementos existem em baixas concentrações nos componentes de sistemas fotovoltaicos o que torna sua recuperação bastante difícil.
Outro dado importante é o fato de as emissões de CO2 geradas nos processos de produção de alumínio reciclado são de apenas 4,6% das emissões na fabricação de alumínio produzidos a partir de toda cadeia de extração desse mineral, sem falar das perdas de elementos que acontecem no processo.
O desenvolvimento de soluções e processos técnicos, sem sombra de dúvidas, será essencial para a adequada tratativa dos potenciais problemas que surgirão no fim do ciclo de vida dos sistemas fotovoltaicos, no entanto; não é uma condição suficiente. Será necessário também o desenvolvimento e implementação de mecanismos políticos e regulatórios em todas as fases do ciclo de vida, de forma a preparar, fomentar e incentivar o desenvolvimento da indústria de tratamento adequado dos RSFV.
As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado O desafio do descarte futuro dos resíduos de sistemas fotovoltaicos no Brasil, defendida por Nelson Monteiro de Sousa, Programa de Pós-Graduação em Energia e Ambiente da Universidade Federal do Maranhão, sob orientação do professor Clóvis Bôsco Mendonça Oliveira e coorientação da professora Lucylea Gonçalves França.
Av. Francisco Matarazzo, 404 Cj. 701/703 Água Branca - CEP 05001-000 São Paulo/SP
Telefone (11) 3662-4159
© Sobratema. A reprodução do conteúdo total ou parcial é autorizada, desde que citada a fonte. Política de privacidade