BLOG SOBRATEMA

Publicado em 30 de abril de 2026 por Mecânica de Comunicação

Potencial da aplicação do lodo de esgoto como adubo em atividades agrossilvipastoris

O tratamento de esgoto sanitário gera subprodutos nas fases líquida, gasosa e sólida. A fração sólida pode compreender o material gradeado, areia, escuma e lodo, sendo o quantitativo gerado diretamente proporcional ao volume de efluente tratado.

O lodo representa o subproduto predominante da fase sólida e, apesar da baixa geração (cerca de 1 a 2% do volume de efluente líquido), os custos relacionados ao seu gerenciamento são substanciais, variando de 20 a 60% dos custos totais de operação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Embora relegado em muitos casos, o lodo apresenta algumas possibilidades para o aproveitamento dos recursos nele presentes. Dentre elas, destaca-se o aproveitamento como adubo em atividades agrossilvipastoris e recuperação de áreas degradas (RAD), melhorando as caraterísticas do solo em decorrência da adição de matéria orgânica, o que proporciona aumento na superfície específica da fração sólida, estruturação e estabilização dos agregados, retenção de água, melhoria da consistência, aumento na fertilidade, alteração favorável no pH, neutralização de elementos químicos tóxicos, adição de micronutrientes e melhoria na biota do solo.

Outras vantagens associadas à essa prática são: maior parcelamento da adubação, evitando-se perdas e atendendo às necessidades das plantas nas diferentes etapas de desenvolvimento da cultura; e economia de insumos, com consequente economia de recursos financeiros.

Ao encontro desta alternativa está o fato de que, no Brasil, o setor agrossilvipastoril representa um dos pilares da economia nacional, cuja intensa produção gera uma demanda elevada por nutrientes, em geral, supridos por meio da exploração de fontes não renováveis. Nesse sentido, o aproveitamento deste subproduto em solos figura como técnica atrativa e sustentável, não só do ponto de vista da disposição final adequada do lodo como também pelo apelo econômico advindo do aporte de nutrientes presentes no mesmo.

As justificativas para a não aplicação desta técnica podem estar fundamentadas nos riscos deste material em relação ao solo, culturas, animais, águas subterrâneas e superficiais – no caso de contato com estas, e aos seres humanos. Ademais, há que se considerar o receio dos agricultores (em muitos casos, o elo mais fraco da cadeia) em utilizar esse material, devido a diversos fatores, como os aspectos legais que, visando garantir a segurança na aplicação do lodo, pode representar um inibidor da técnica. Além da preocupação dos produtores rurais, há ainda a aceitação do público em geral, por exemplo, dos consumidores dos produtos obtidos a partir de uma adubação efetuada com lodo de esgoto.

Ainda que se pese a elevada demanda por nutrientes presentes no lodo, esta técnica não deve ser encarada como o simples despejo do material no solo. Existem critérios técnicos e legais que devem ser atendidos visando-se garantir a segurança do meio ambiente e a saúde pública.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Identificação e Avaliação de Áreas Potenciais de Uso Agrícola do Lodo de Estações de Tratamento de Esgoto Sanitário na Bacias dos Rios Velhas, Jequitaí e Pacuí, defendida por Lucas de Almeida Chamhum Silva, no Programa de Pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Universidade Federal de Minas Gerais, sob orientação do professor Cesar Rossas Mota Filho e coorientação do professor Antonio Teixeira de Matos.