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Economia circular na cadeia produtiva da embalagem plástica

Hoje, todas as pessoas, em todos os lugares e todos os dias, têm contato com plásticos – sobretudo os de embalagem. Com isso, o uso de plásticos aumentou cerca de vinte vezes nos últimos 50 anos, crescendo de 15 milhões de toneladas em 1964…

Economia circular na cadeia produtiva da embalagem plástica

Hoje, todas as pessoas, em todos os lugares e todos os dias, têm contato com plásticos – sobretudo os de embalagem. Com isso, o uso de plásticos aumentou cerca de vinte vezes nos últimos 50 anos, crescendo de 15 milhões de toneladas em 1964 para 322 milhões de toneladas em 2015 e deve dobrar nos próximos 20 anos, dado o crescente número de atividades que utilizam os materiais plásticos.

Embora ofereça muitos benefícios, a atual economia dos plásticos tem desvantagens que vêm se tornando mais evidentes. Depois de um breve primeiro ciclo de uso, 95% do valor do material plástico das embalagens, o que corresponde a US$ 80–120 bilhões anuais, se perde. Uma impressionante proporção de 32% dos plásticos de embalagem escapa aos sistemas de coleta, gerando custos significativos em razão da redução da produtividade de sistemas vitais naturais, como os oceanos, e sobrecarregando a infraestrutura urbana.

O custo dessas externalidades pós-uso das embalagens plásticas, somado ao custo associado a emissões de gases do efeito estufa em sua produção, atinge cerca de US$ 40 bilhões por ano – superando o lucro agrupado da indústria de embalagens plásticas.

Dessa forma, a superação dessas desvantagens surge como uma oportunidade: aumentar a eficácia dos sistemas para obter melhores resultados econômicos e ambientais, mantendo os muitos benefícios dos plásticos. Nesse sentido, o viés econômico traçado pela Economia Circular tem estimulado os atores da cadeia produtiva da embalagem plástica a se adequarem às novas práticas de gestão, descortinando novas oportunidades de criar e preservar o valor a partir do que até então seria considerado resíduo.

Mas, a atual estrutura de implementação dessas práticas ainda é muito fragmentada. A falta de normas e de coordenação na cadeia de valor tem permitido uma proliferação de materiais, formatos, rotulagem, dimensões, sistemas de classificação e reprocessamento. Em seu conjunto, a pluralidade desses aspectos nas embalagens plásticas, permitem que elas apresentem propriedades únicas e ciclos de vida específicos, afetando o desenvolvimento circular desse mercado.

A falta de padronização na concepção das embalagens PET, por exemplo, torna complexo o processo de revalorização desse material. Isso porque o desenvolvimento e o lançamento de novos materiais plásticos e formatos para embalagens nas cadeias de suprimento e distribuição têm ocorrido muito mais rapidamente que o desenvolvimento e a implantação da infraestrutura pós uso. Embora as tecnologias de revalorização estejam evoluindo, a viabilidade econômica fica ameaçada diante das características incorporadas pelos fabricantes às embalagens PET.

Assim, é necessário superar as limitações das melhorias incrementais e das iniciativas fragmentadas de hoje para criar uma noção compartilhada de direção, estimular uma onda de inovação e mover a cadeia de valor do plástico para uma espiral positiva de captura de valor, maior solidez econômica e melhores resultados ambientais.

As informações acima foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Kamila Yoko Carvalho Komatsu, no Programa de Pós-Graduação em Processos Químicos e Bioquímicos, Escola de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação dos professores José Vitor Bomtempo Martins e Clarice Campelo de Melo Ferraz.

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