Técnicas de geoprocessamento podem contribuir para prevenir erosões
O uso de técnicas de geoprocessamento tem contribuído para a análise integrada do meio ambiente. Através dessa ferramenta, pode-se realizar um panorama da qualidade ambiental, permitindo uma análise temporal das intervenções que as…
O uso de técnicas de geoprocessamento tem contribuído para a análise integrada do meio ambiente. Através dessa ferramenta, pode-se realizar um panorama da qualidade ambiental, permitindo uma análise temporal das intervenções que as áreas vêm sofrendo ao longo dos anos, assim como, os que ainda podem sofrer.
No caso dos estudos de processos erosivos, é preciso considerar os diferentes objetivos, como a avaliação dos impactos ambientais, voltados à pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias de controle, elaboração de políticas de conservação e principalmente no sentido de previsão de erosão para implantação de medidas preventivas.
Em relação à previsão de erosão, os estudos são mais voltados à geração de sedimentos com base em diferentes modelos matemático/computacionais. Tais modelos permitem a quantificação desses sedimentos gerados, contemplando processos erosivos distintos e suas feições, assim como os fatores que os influenciam.
Os procedimentos para a montagem de um modelo matemático que represente um sistema real são: desenvolvimento do modelo conceitual, envolvendo todo o levantamento e interpretação de dados e observações do sistema real; seleção do programa computacional a ser utilizado segundo as necessidades e os dados existentes; tradução do modelo conceitual, para linguagem matemática, construindo-se os diversos bancos de dados para a entrada das informações no programa selecionado; e a calibração do modelo matemático construído de forma a minimizar dúvidas inerentes a uma representação simplificada de um sistema real, devido à complexidade da realidade.
Diversos autores ressaltam que a principal vantagem da aplicação de modelos, tanto em nível de planejamento, como no controle da erosão, consiste na possibilidade do estudo de diferentes cenários (tais como o pior cenário possível e diferentes tipos de manejo e práticas conservacionistas), com baixo custo e de forma rápida. No entanto, todo modelo tem limites de aplicação.
A maior limitação ao uso desses modelos é a dificuldade de trabalhar uma grande quantidade de dados que descrevem a heterogeneidade dos sistemas naturais, por isso os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são empregados na criação do banco de dados para tais modelos.
Os SIG’s são destinados à aquisição e ao tratamento de dados georreferenciados (referenciados espacialmente), permitindo a manipulação de dados de diversas fontes, recuperando e combinando informações e efetuando vários tipos de análises. A informação, necessária aos processos decisórios, é o resultado da modelagem destes dados georreferenciados, que buscam representar uma realidade geográfica, e das operações possíveis sobre estas representações.
Por meio desses estudos, é possível verificar que, além da susceptibilidade natural à erosão, as alterações relacionadas às atividades antrópicas afetam diretamente a dinâmica do meio ambiente, sendo possível delimitar as áreas que necessitam de manejo mais eficaz, assim como áreas mais propicias a expansão urbana e de atividades agrícolas, servindo como subsidio nas decisões do planejamento territorial estratégico.
Estima-se que só no Estado de São Paulo há ocorrência de mais de 35.000 feições erosivas e aproximadamente 10.000 voçorocas de grande porte, segundo levantamentos realizados pelo IPT. Dentre essas áreas degradadas, a região que compreende os municípios de São Pedro e de Santa Maria da Serra é bastante representativa, sendo intensamente afetada pelos diferentes tipos de erosão.
As informações foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Fabiola Geovanna Piga, ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Federal de São Carlos, sob orientação da professora Marcilene Dantas Ferreira.
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