Tecnologia do concreto dos antigos romanos é tema de estudo
Pesquisadores da Universidade de Salt Lake City, nos EUA, publicaram resultados de análise do concreto usado pelos antigos romanos. O que chamou a atenção dos estudiosos foi a parte submersa da estrutura de um porto construído há cerca de dois mil anos e que resiste até hoj…
O antigo porto de Cosa, na região da Toscana, empregou o concreto proveniente da mistura de cinza vulcânica, cal e água do mar para formar uma argamassa, à qual eram adicionados posteriormente pedaços de rocha vulcânica que serviam como agregados. A reação entre os três ingredientes é chamada de pozolânica, nome derivado da cidade de Pozzuoli, na baía de Nápoles, lugar de origem da cinza empregada pelos romanos no concreto. Outras importantes obras do período aproveitaram a receita, como o Panteão e o Mercado de Trajano. Foto: Salt Lake City University
Ao contrário do concreto usado hoje, obtido por meio de ingredientes inertes, no dos antigos romanos aconteciam reações químicas que alteravam a composição da mistura. A equipe da Universidade de Salt Lake City concluiu que a água marinha dissolvia componentes da cinza vulcânica, tal reação química provocava a geração de novos minerais entre a argamassa e os agregados, em particular o mineral tobermorita aluminosa. Esse componente e outros identificados apresentam forma laminar que, intercaladas entre si, reforçam a mistura do concreto e previnem o alargamento de fissuras na superfície.
O desafio agora enfrentado pelos pesquisadores é reproduzir a receita do concreto romano e descobrir o método preciso de mistura da argamassa marinha. Acontece que, até agora, a tobermorita aluminosa só pode ser sintetizada artificialmente em pequenas quantidades, o que demanda ambiente com alta temperatura, enquanto os romanos a obtinham em temperatura ambiente e em quantidade abundante. O segredo pode estar nas reações de longo prazo provocadas pelo contato entre a água salgada e o concreto. Se essa teoria for correta, os pesquisadores acreditam que a demora nas reações que garantem a resistência pode limitar o uso da tecnologia romana, mas acreditam que pode ser útil em casos particulares como, por exemplo, na barragem projetada para o lago de Swansea, País de Gales, onde o uso do concreto romano foi proposto pelos profissionais americanos.
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