Energia renovável para atender as demandas de comunidades isoladas
As comunidades isoladas estão às margens da vida social e econômica. Elas enfrentam grandes dificuldades para satisfazerem as suas necessidades básicas como educação, lazer, saúde e água potável. As suas propriedades s…
As comunidades isoladas estão às margens da vida social e econômica. Elas enfrentam grandes dificuldades para satisfazerem as suas necessidades básicas como educação, lazer, saúde e água potável. As suas propriedades são muito distantes dos centros urbanos, e na maioria das vezes sem estrada dificultando todos os meios de comunicação que lhes impedem de comunicarem com outras regiões. A falta de renda, demanda muito baixo de energia e dificuldades para transportar equipamentos em tais localidades fazem delas um mercado de altos custos e não rentável pelas concessionárias de energia.
Nesse cenário, os projetos de energia renovável para comunidades estão desempenhando um papel importante, uma vez que o consumo de energia está diretamente relacionado ao crescimento econômico: mais energia é necessária para aumentar a produção de bens e serviços e melhorar o padrão de vida dos habitantes.
A energia gerada a partir de fontes renováveis é considerada como segura, limpa e confiável, não causa danos ao meio ambiente e ainda é de fácil uso. Sua utilização se mostra como importante solução para comunidades rurais, e estímulo ao consumo energético não agressivo ao meio ambiente, evitando o uso de recursos fósseis que são potenciais poluidores.
No desenvolvimento de comunidades remotas e/ou zonas rurais, ela atende as necessidades energéticas daquela comunidade e consequentemente contribui para que ocorra uma integração social, onde a população possa gozar das suas necessidades básicas.
Na América Latina, várias cooperativas de energia renovável estão desempenhando um papel importante na eletrificação de zonas rurais. A Costa Rica, por exemplo com seu ambicioso objetivo de se tornar neutra em carbono, abriga quatro cooperativas de energia com mais de 180.000 membros, controlando quase 15% do mercado de energia (REN21, 2016). Na África, os projetos de energia para comunidades foram iniciados em grande parte por ONGs internacionais, governos e instituições educacionais e religiosas, como a iniciativa SharedSolar desenvolvida pela Columbia University.
No caso do Haiti, o potencial de energia solar é extremamente forte em todo o território nacional e se mantém durante todo o ano, mesmo no inverno. Na maior parte do país a irradiação global na horizontal varia de 5 à 7 kWh/m²/dia e se aproxima de 8 à 9 kWh/m² em certas regiões. No caso do recurso eólico, o país possui um potencial de ventos constantes durante todo o ano que penetra a região nordeste. De acordo com a pesquisa do “Worldwatch e MTPTEC”, a maior parte do país possui locais onde a velocidade média do vento é ao menos 6 m/s numa altura de 80 metros.
Por meio do programa HOMER (Modelo de Otimização Micropower), foi possível perceber que um sistema fotovoltaico-eólico isolado pode ser uma boa opção de fornecimento de energia elétrica para comunidades isolada, pois além de sustentavelmente viável, pode custar muito menos em termo de viabilidade econômica que os sistemas convencionais. O programa HOMER é uma ferramenta computacional desenvolvida pelo Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) dos Estados Unidos, com o objetivo de auxiliar na concepção de sistemas de microenergia e facilitar a comparação de tecnologias de geração de energia em uma ampla gama de aplicações.
As informações foram extraídas da dissertação de mestrado , defendida por Wesly Jean, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (PCMEC) da Faculdade de Tecnologia da Universidade de Brasília, sob orientação do professor Antonio C. P. Brasil Junior.
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