Remoção de sulfetos no tratamento de esgoto
Os processos biológicos de tratamento de águas residuárias ao longo do tempo vêm passando por transformações consideráveis, a fim de obter tratamentos eficientes e de baixo custo operacional. De modo geral, através de process…
Os processos biológicos de tratamento de águas residuárias ao longo do tempo vêm passando por transformações consideráveis, a fim de obter tratamentos eficientes e de baixo custo operacional. De modo geral, através de processos biológicos anaeróbios e aeróbios a matéria orgânica e alguns nutrientes presentes nos esgotos são estabilizados em substâncias mais simples e de baixo peso molecular.
Nesse sentido, os reatores anaeróbios de alta-taxa do tipo UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket) assumiram posição de destaque dentre os sistemas disponíveis para o tratamento de águas residuárias por apresentar em diversas vantagens comparadas aos sistemas aeróbios convencionais. Entre elas destacam-se, os baixos custos de implantação e de operação, o baixo consumo energético e a baixa produção de lodo.
No entanto, os reatores anaeróbios ainda apresentam algumas limitações, não completamente solucionadas até o presente momento, sendo uma delas o gerenciamento de emissões gasosas, notadamente o sulfeto de hidrogênio (H2S), também conhecido como gás sulfídrico.
Esse gás é, aliás, o principal responsável pelo mau odor emanado das Estações de Tratamento de Esgoto, que tem sido uma das reclamações frequentes em denúncias recebidas pelos órgãos de controle ambiental. Entre as razões disso estão o crescimento do número de habitações em regiões vizinhas à ETE existentes; centralização de unidades de tratamento de esgotos e lodo e crescimento da conscientização ambiental por parte da população.
Além do desconforto que os odores podem causar às áreas circunvizinhas, deve-se lembrar que os gases emitidos podem afetar da saúde das pessoas, principalmente daquelas que se expõem aos gases mais frequentemente, como é o caso dos operadores das ETE. O gás sulfídrico, por exemplo, é altamente tóxico e irritante para o organismo, atuando sobre o sistema nervoso, olhos e vias respiratórias.
Assim, é importante encontrar um tratamento que combine a remoção do sulfato em reatores biológicos e a remoção do sulfeto produzido. Diante disto, a oxidação do sulfeto a enxofre elementar se torna viável já que este pode ser removido pelo processo de flotação e ainda trazer vantagens econômicas com a sua recuperação e futura utilização pela indústria e agricultura.
As considerações acima foram extraídas da dissertação de mestrado Remoção de sulfetos no tratamento de esgoto sanitário em sistemas anaeróbicos, defendida por Valquiria Cordeiro da Silva, na Universidade Estadual da Paraíba, sob orientação do professor José Tavares de Sousa.
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