Bambu é material ecológico com potencial para fins estruturais
O uso de materiais sustentáveis, cuja produção e uso têm pouco ou nenhum impacto sobre o meio ambiente, é cada vez mais comum no setor da construção civil. O bambu é um deles, pois é um vegetal com alto índice d…
O uso de materiais sustentáveis, cuja produção e uso têm pouco ou nenhum impacto sobre o meio ambiente, é cada vez mais comum no setor da construção civil. O bambu é um deles, pois é um vegetal com alto índice de sequestro de carbono e abundante na natureza. Outras vantagens são a elevada resistência mecânica e a viabilidade de ser combinado com outras substâncias, como os polímeros, ampliando as possibilidades de uso da matéria prima sustentável.
Enquanto sequestrador de carbono, o bambu é classificado na categoria C4, ou seja, com alta capacidade de incorporar o dióxido de carbono à biomassa vegetal por meio da fotossíntese. A estratégia de retenção de CO² por meio de vegetais terrestres e algas marinhas é estudada por cientistas ao redor do mundo como forma de combater o efeito estufa. Estima-se que o bambu tem capacidade de estocar carbono entre 31.860 e 77.039 kgCO²/ha num período de um ano. No âmbito da construção civil, a notável relação resistência/peso, associada ao baixo custo do material, mostra que o bambu pode ser um bom substituto da madeira e do aço. Experimentos desenvolvidos na PUC-Rio, pelo Prof. Khosrow Ghavami, demostraram que o bambu tem condições para ser utilizado em sistemas estruturais; nos ensaios realizados por ele, o vegetal apresentou resistência à tração de 200 MPa, próximo do índice de 240 MPa de uma placa de aço. Ainda de acordo com as projeções do pesquisador, o bambu pode reduzir em até 30% o custo final de uma construção.
Outras vantagens sustentáveis do bambu incluem o gasto de energia necessário para produção, muito pequeno se comparado ao aço, e a pouca emissão de CO² durante o transporte, também vantajosa em relação ao metal. Outra alternativa de uso do bambu é a fabricação de um compósito com o polímero PEBD - Polietileno de Baixa Densidade - e agente compatibilizante, esse necessário para a adesão interfacial entre os materiais, aumentando o alongamento de ruptura e a interação entre matriz e carga.
Os dados e considerações acima foram publicados na dissertação de mestrado , de autoria de Patrícia Delgado, com orientação de Sebastiana Lana e aprovada pela Rede Temática de Engenharia de Materiais (REDEMAT), que reúne a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) e a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais (CETEC).
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