Recipiente biodegradável pode ser alternativa para cultivo de mudas
A produção de mudas em tubetes de polietileno contribuiu sobremaneira com o setor florestal, entretanto esses recipientes necessitam que as mudas sejam retiradas na ocasião do plantio e devem ser higienizados antes da próxima utilização. …
A produção de mudas em tubetes de polietileno contribuiu sobremaneira com o setor florestal, entretanto esses recipientes necessitam que as mudas sejam retiradas na ocasião do plantio e devem ser higienizados antes da próxima utilização. Já utilização de recipientes tradicionais, como sacolas e bandejas, geram resíduos e podem poluir o ambiente.
Com o intuito de minimizar o descarte de poluentes no ambiente, os últimos anos vêm sendo contemplados com pesquisas sobre a utilização de materiais biodegradáveis na produção de recipientes, livres de resíduos pós-plantio, que da mesma forma, beneficiem o desenvolvimento das plantas em campo pela preservação da integridade das raízes.
Os recipientes que possam se degradar no solo são favoráveis ao ambiente em comparação aos recipientes tradicionais feitos de plástico. Estudos em Portugal e no Brasil utilizaram produtos oriundos da vitivinicultura para a elaboração de recipientes alternativos como forma de redução de uso dos materiais a base de plásticos, bem como de descarte no ambiente destes potenciais poluentes e, ainda, enaltecem a questão da customização no processo produtivo e a potencial degradação, que dispensa a necessidade de retirada da planta do recipiente.
O benefício na utilização de materiais de origem orgânica na confecção de recipientes para mudas está na porosidade, pois não impõe limites ao desenvolvimento radicular das plantas no campo, minimizando o estresse no transplantio. A durabilidade dos recipientes produzidos a partir de materiais de origem orgânica pode ser um dos entraves no processo produtivo de mudas, pois estes devem manter-se íntegros durante o tempo de viveiro e não limitar o crescimento radicular quando levados a campo, desobrigando a retirada e o retorno de recipientes ao produtor.
Além disso, alguns destes recipientes ainda apresentam custos altos para sua aquisição, distantes da realidade de muitos produtores, além de alguns exigirem equipamentos específicos no processo de fabricação.
O recipiente mais popular e utilizado por muitos anos, conhecido como xaxim foi explorado comercialmente para a produção de recipientes para o ramo da floricultura, porém sua extração foi proibida por lei federal em 2001, praticamente obrigando aos produtores buscarem novas alternativas de materiais para a composição dos recipientes.
Um desses materiais foi testado para elaboração da dissertação de mestrado Recipiente biodegradável e substratos elaborados com fibra de bananeira na produção de mudas de maracujá (Passiflora edulis Sims), defendida por Francisco Novaes Júnior, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG), sob orientação do professor Ricardo Monteiro Corrêa e coorientação do professor Luciano Donizete Gonçalves.
Foi elaborado um recipiente biodegradável a partir do enraizamento de sementes de mucuna preta em fibras de pseudocaule de bananeira para o cultivo de plantas de maracujazeiro redondo amarelo. Para tanto, foram avaliadas características de resistência e durabilidade do recipiente proposto, durante o período necessário no viveiro, bem como em relação às características morfológicas das mudas de maracujazeiro, como altura de plantas, diâmetro de coleto e número de folhas.
A conclusão é que o recipiente biodegradável à base de fibras de pseudocaule de bananeira com enraizamento de plantas de mucuna preta é recomendável para o cultivo de mudas do maracujazeiro redondo amarelo.
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